A XP Inc. encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 1,32 bilhão, recuo de 0,97% em relação ao período entre outubro a dezembro, mas com alta de 7% na comparação com igual intervalo em 2025. Com a injeção de R$ 19 bilhões em recursos extraordinários do reembolso de investidores do Master, a captação líquida no varejo chegou a R$ 38 bilhões, mas com saídas de R$ 4 bilhões no segmento corporate e institucional. A plataforma de investimento era a que tinha o maior estoque em papéis emitidos pelas instituições do grupo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, liquidado em novembro. Dos cerca de R$ 25 bilhões já pagos aos seus clientes, conseguiu reter 77%. Não fosse o efeito Master, a captação líquida se limitaria a R$ 14 bilhões, um recuo de 41,7% em um ano e de 56,3% no trimestre. O total de ativos na custódia da XP chegou a R$ 1,529 trilhão ao fim de março, incremento de 15,1% em 12 meses e de 2,5% no trimestre. Considerando-se o total de ativos de clientes, na gestora de recursos e na administração de fundos, a soma vai para R$ 2,142 trilhões, aumento de 21% em um ano. O lucro por ação aumentou 9% em 12 meses, puxado pela execução do programa de recompra de ações. A companhia aprovou um novo programa de R$ 1 bilhão, além do pagamento de outros R$ 500 milhões em dividendos, previsto para junho. Com a capitalização de mercado atual, de cerca de US$ 44 bilhões, e os outros R$ 2,5 bilhões em proventos estimados para o resto do ano, a companhia vai encerrar 2026 com um retorno em dividendos acima de 10%, segundo a administração. As receitas no varejo alcançaram R$ 3,77 bilhões, recuo de 2,3% no trimestre e alta de 8% em 12 meses, mantendo a tendência de uma maior diversificação de resultados entre ações, renda fixa, fundos, previdência, cartões, crédito e seguros. No banco de atacado, as rendas somaram R$ 1,15 bilhão, crescimento de 26% na comparação anual, mas queda de 7,7% no trimestre. Na atividade de renda fixa, o período foi afetado pela marcação a mercado, de taxas de títulos de crédito que subiram no mercado secundário - com os preços para baixo - e que a XP carrega no banco de investimento e na tesouraria, segundo Thiago Maffra, principal executivo (CEO) da XP. "A XP só tem papel de ótimo crédito, 'AA', 'AAA' e não teve nenhum evento de crédito. Nenhum desses nomes que se acompanhou no Brasil. Nossa PDD [provisão para devedores duvidosos], ela está super em linha. Mas se olhar nas receitas de renda fixa no varejo e no nosso serviço de emissões, que é o Investment Bank, você vai ver uma receita menor", afirma o executivo. Apesar de um primeiro trimestre de crescimento de receita mais fraco, o executivo diz estar confiante de que a companhia vai alcançar as metas traçadas no fim de 2023 para o triênio de 2024 a 2026. A XP então previa R$ 22,8 bilhões em receitas até o fim deste ano, uma margem EBT (a margem do lucro antes de impostos) de 30% e enquadrar o índice de Basileia, o capital regulatório, num nível abaixo de 19%. Essa é a razão de prever a distribuição total de R$ 5 bilhões aos acionistas via recompras ou dividendos, já tendo realizado metade do programa atual, de R$ 1 bilhão, anunciado outro de igual valor, além dos dividendos de R$ 500 milhões. Vão sobrar outros R$ 2,5 bilhões para a segunda metade do ano. A administração da XP tem como alvo captar R$ 20 bilhões por trimestre. Após o evento não recorrente do Master, precisa aumentar o ritmo, reconhece Maffra. "A XP não tem um guidance de captação, mas a gente tem falado que R$ 20 bilhões é um nível que consideramos consistente", diz Maffra. Mas para conquistar a liderança em investimentos que espera até 2033, a captação nos próximos anos teria que ser quase o dobro, de R$ 35 bilhões, diz. O target de receita, por sua vez, traz implícito um crescimento de 16% neste ano. "Lembrando que era um guidance de três anos atrás, e com todas as variáveis de mercado de três anos atrás, está chegando muito perto", diz Maffra. "Isso fala muito com toda a diversificação de receita que a companhia fez, das novas verticais de pessoa física, de 'cross-sell', de banking, conta, cartão, câmbio, crédito, seguros, que tanto fala, então isso aqui vem crescendo a taxas altas e o nosso banco de atacado também saiu do zero em 2021 e hoje é um dos principais bancos de atacado no Brasil." Em paralelo à divulgação de resultados, a XP anunciou a chegada de Gustavo Alejo como novo executivo-chefe de finanças (CFO), em substituição a Victor Mansur. Com mais de 26 anos no Santander, Alejo tem o perfil que se encaixa ao novo momento da XP, de diversificar suas linhas de atuação para além do negócio investimentos que trouxe a empresa até aqui, segundo explica Thiago Maffra, principal executivo (CEO) da XP, em conversa com o Valor. "Era uma transição que a gente já vinha planejando na cadeira de CFO há algum tempo. Foi super planejado, conversado, ele é um sócio importante, com 15 anos na empresa, mas dada toda a diversidade de negócios que vem construindo, cada vez mais na linha de produtos bancários, pagamento e seguros, crédito pessoa física e atacado, a XP queria trazer alguém com um 'background' de tecnologia de banco", afirma Maffra. As mudanças na liderança do Santander, com o atual presidente da B3, Gilson Finkelsztain, assumindo a posição que hoje é de Mario Leão, no fim de junho, precipitou a movimentação também na XP, apontou Maffra. Segundo ele, Mansur permanece na XP e vai auxiliar na passagem do bastão. "Nada muda na estratégia, ela está clara e consistente e vai continuar executando, mas ele pode ajudar a fazer melhor e mais rápido", diz Maffra. Um dos planos para o segundo semestre é entrar no crédito para pequenas e médias empresas, com linhas atreladas à antecipação de recebíveis, duplicatas e até em subadquirência, na conexão da captura com cartões no comércio. Thiago Maffra, CEO da XP Inc. — Foto: Paulo Bareta/Divulgação
XP lucra R$ 1,32 bilhão no 1º trimestre e captação no varejo sobe a R$ 38 bilhões com ‘efeito Master’
Companhia aprova novo programa de R$ 1 bilhão, além do pagamento de outros R$ 500 milhões em dividendos, previsto para junho














