As ações do Nubank fecharam em queda de 6,03%, a US$ 12,15, na bolsa de Nova York (Nyse), com os investidores repercutindo as demonstrações financeiras divulgadas ontem à noite. A plataforma financeira digital reportou lucro líquido de US$ 871,4 milhões, recuo de 5% em relação ao último trimestre de 2025 e um pouco abaixo das previsões dos analistas, que esperavam alta entre 6% e 8%. Mas o que chamou a atenção foi o aumento das provisões para devedores duvidosos (PDD) em 33%, para US$ 1,79 bilhão, em ritmo maior do que a expansão da carteira de crédito no período, de 7%, para US$ 37,2 bilhões. O Itaú BBA destaca em relatório que o banco provisionou 154% da formação de créditos não performados (NPL), o que elevou o índice de cobertura em 30 pontos percentuais. "A transição do estágio 2 para o estágio 1, corrigindo esse problema no primeiro trimestre, pareceu normal", afirmou o time de pesquisa do setor financeiro, liderado por Pedro Leduc. "No final, a receita líquida de juros ajustada ao risco caiu 4% em relação ao trimestre anterior, com probabilidade de recuperação ao longo do ano." Os analistas ainda destacam que as despesas operacionais ficaram nominalmente estáveis em comparação com o quarto trimestre, mas a eficiência melhorou. No fim, o lucro antes dos impostos superou as expectativas em 10% em relação ao que o Itaú BBA previa, enquanto uma alíquota de Imposto de Renda mais alta do que o esperado compensou os lucros em linha com as expectativas. A carteira de crédito cresceu acima das estimativa da área de pesquisa do Itaú BBA, impulsionada por cartões de crédito, com alta de 36% em 12 meses, para US$ 24,3 bilhões, e empréstimos sem garantia (27%), a US$ 9,9 bilhões. O crédito consignado, com garantia em folha de pagamento, do FGTS e o imobiliário, ainda representa uma pequena parcela de 8% do mix, mas avançou 38% em relação ao ano anterior. "Essa mudança na composição está alinhada à estratégia e é o principal motivo pelo qual tanto a receita líquida de juros quanto a margem líquida de juros continuam a se expandir, mas também explica o aumento paralelo no provisionamento. "O total de clientes atingiu 135,2 milhões (4,2 milhões em relação ao trimestre anterior; México com 15 milhões), em linha com a estimativa do Itaú BBA, de 135 milhões, com a receita média por cliente ativo do Brasil crescendo 23% em relação ao ano anterior, para US$ 15,9, à medida que a monetização continua a crescer mais rapidamente do que a base de clientes." No geral, o primeiro trimestre mostrou o aumento esperado nas provisões, mas também volumes fortes, receita e eficiência", afirmam. "O banco começa o ano muito bem provisionado para o crescimento do ano fiscal de 2026 e para as melhorias usuais nos negócios que ocorrem após o primeiro trimestre.” Eles citam que as ações vêm sendo negociadas a 16 vezes o preço/lucro estimado para 2026 e a 13 vezes na cotação atual, entre os níveis mais baixos da história do Nubank. O Itaú BBA tem indicação de compra para as ações, com um preço-alvo de US$ 20,00 para 2026, o que representa um potencial de valorização de 66% em relação à cotação atual. O BTG Pactual também tem indicação de compra para os papéis, com um preço-justo estimado em US$ 22 em 12 meses. A equipe de análise liderada por Eduardo Rosnan comentou sobre o desempenho das ações no after market ontem, com um recuo que chegou a 10%, mas ressalta que a administração foi "muito clara ao afirmar que o aumento das provisões estava totalmente em linha com suas próprias expectativas e continua a refletir uma dinâmica saudável do portfólio subjacente". "Continuamos a acreditar que o Nu está bem posicionado para ter um desempenho superior durante um ciclo de crédito mais desafiador no Brasil, embora as preocupações com a deterioração da qualidade dos ativos do sistema — e, como consequência, do Nu também — provavelmente não desapareçam no curto prazo e devam continuar a ser um fator negativo para as ações", escrevem os analistas do BTG.
Ações do Nubank despencam em NY após aumento vertiginoso das provisões para devedores duvidosos
PDD do primeiro trimestre cresce em ritmo maior do que a expansão da carteira de crédito no período, de 7%, para US$ 37,2 bilhões













