O Nubank encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 871,4 milhões, recuo de 5% em relação ao último trimestre de 2025 e um pouco abaixo das previsões dos analistas que esperavam uma alta entre 6% e 8%. Na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, o resultado teve um incremento de 41%, desconsiderando-se a variação cambial. A base chegou a 135,2 milhões de clientes, um incremento de 3% em relação ao fim de 2025 e de 14% em 12 meses. Um dado que chamou a atenção foi o aumento das provisões para créditos em liquidação duvidosa, em 33% no trimestre, para R$ 1,79 bilhão. A carteira cresceu acima das projeções do mercado, para R$ 37,2 bilhões, mas em ritmo menor, de 7% no trimestre e em 40% na base anual. No “after market”, as ações do Nu chegaram a cair mais de 10%. A rentabilidade (ROE) anualizada atingiu 29%, abaixo dos 33% alcançados no quarto trimestre de 2025, mas acima dos 27% reportados nas demonstrações financeiras de um ano antes. A receita do Nu no intervalo entre janeiro e março superou os US$ 5 bilhões pela primeira vez na história da plataforma digital. As rendas líquidas com juros atingiram um recorde de US$ 3,25 bilhões, com alta de 12% no trimestre. A margem líquida de juros foi de 21,1%, refletindo o crescimento da carteira de crédito em ritmo superior ao dos passivos, segundo a administração. Dentro do total do crédito, cartões representaram US$ 24,3 bilhões, as operações sem garantia aproximadamente US$ 10 bilhões e as com garantia US$ 3 bilhões. Os atrasos entre 15 e 90 dias aumentaram de 4,11% para 5%, em linha com a sazonalidade para o período e pelo maior ritmo de expansão, segundo Guilherme Lago, executivo-chefe de finanças do Nubank. A inadimplência acima de 90 dias cedeu 10 pontos-básicos no trimestre, para 6,5%, se afastando do pico de 7% observado no terceiro trimestre de 2024. O aumento das provisões para perdas foi impulsionado pelo mix, com maior ênfase ao empréstimo pessoal, de acordo com Lago, um segmento de maior risco, e não teriam relação com eventual piora do perfil das operações. Foi essa a razão do descolamento em relação às expectativas para a última linha das demonstrações financeiras. “É um desvio bom porque o Nu cresceu muito mais do que o mercado esperava na carteira de crédito”, afirma Lago. “Nada desse provisionamento adicional veio da deterioração da carteira de crédito.” O consenso, segundo relatório da equipe de análise do BTG Pactual, apontava para um estoque de crédito em US$ 35,2 bilhões e um lucro de US$ 918 milhões. A duração média do portfólio, destacou, é de três meses no Brasil e dois meses no México. “Isso significa que se houver qualquer alteração da qualidade do crédito, para o bem ou para o mal, a nossa carteira permite que reaja super rápido”, explicou. “É um nível bem granular. Se a gente tivesse sentado, por exemplo, numa carteira de crédito imobiliário de 20 anos, 30 anos, se começasse a identificar alguma deterioração, não teria nada para fazer, só ia torcer para melhorar. E aqui torcida não faz parte do modelo de negócio.” “Apesar das fortes receitas do Nubank, o custo do risco pressionou os resultados. As provisões superaram o crescimento dos empréstimos, sinalizando um custo crescente para a consolidação da carteira de empréstimos sem garantia. Apesar da estabilidade da inadimplência [acima de 90 dias], o aumento na formação de créditos nos estágios 2 e 3 levantou questões sobre como as provisões futuras podem pressionar os resultados”, apontaram analistas do Citi em relatório. O índice de empréstimos em relação aos depósitos atingiu 58,3% no trimestre, acima de 49,1% no intervalo entre outubro e novembro de 2025 e de 48,5% em março do ano passado. No Brasil, o Nu ultrapassou 115 milhões de clientes, sendo a maior instituição financeira privada do país por esse critério. A participação do Nu no pool de lucro potencial do Brasil — que supera um valor anual bruto de US$ 100 bilhões — está em aproximadamente 7%, o que mostra a oportunidade para a instituição ganhar maior participação de mercado, destaca Lago. “Apesar de já ter no Brasil chegado à posição da maior instituição financeira privada do país em termos de valores de clientes, já ter dois terços da população adulta brasileira sendo cliente do Nubank, a gente ainda tem só 7% do tamanho da torta e é uma torta que deve crescer em 50% nos próximos cinco anos. Então, tem muito espaço para a gente crescer no Brasil”, afirma Lago. No México, o Nu ultrapassou os 15 milhões de clientes e se tornou a terceira maior instituição financeira do país usando a mesma fórmula de expansão no Brasil. A base de clientes cresceu quase sete vezes em quatro anos, a receita média mensal por cliente ativo quase dobrou. Iniciado em 2021, o negócio atingiu o equilíbrio financeiro neste primeiro trimestre. “A oportunidade do México, do ponto de vista relativo, talvez seja maior do que no Brasil”, diz Lago. Ele cita que a bancarização no país está ao redor de 50%, enquanto no Brasil já alcança 90%. O alcance do crédito formal lá está entre 15% e 18%, e aqui acima de 50%. (Colaborou Álvaro Campos)