0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Placa apresentada durante coletiva de Trump sobre tarifas recíprocas — Foto: Kent Nishimura / Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 06/07/2026 - 18:27 Discussões técnicas e críticas marcam audiência do USTR sobre tarifas Brasil-EUA A audiência do USTR sobre tarifas foi marcada por discussões técnicas e dados desatualizados sobre desmatamento. Representantes americanos questionaram a capacidade do mercado interno e a concorrência desleal com produtos brasileiros, como carne bovina e etanol. Críticas também foram feitas ao Pix e à taxação de máquinas, destacando a complementaridade do comércio entre Brasil e EUA. A expectativa é que o tema do trabalho forçado seja abordado no segundo dia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O primeiro dia de audiências do USTR sobre o novo tarifaço terminou com a percepção, entre representantes dos setores participantes, de que houve maior interesse por parte dos membros do órgão. Segundo eles, a sessão foi mais técnica do que a realizada no ano passado, com perguntas sobre a capacidade do mercado americano de atender à própria demanda e sobre possíveis fornecedores alternativos."Os representantes eram mais sêniores do que na audiência do ano passado", diz uma fonte. Paulo Figueiredo não aparece na audiência do USTR sobre tarifaçoDossiê sobre tarifas e Pix enviado ao governo Trump amplia desgaste de Flávio Bolsonaro entre eleitores decisivos, aponta pesquisa A expectativa é de que a audiência desta terça-feira reúna mais participantes, já que a sessão também deve tratar de trabalho forçado. O encontro será realizado em outra sala, maior do que a utilizada hoje. O pré-candidato do PL Flávio Bolsonaro será o primeiro a falar na audiência. Chamou atenção na discussão sobre proteína animal, especialmente carne bovina, foi a pressão de duas grandes associações de produtores norte-americanos pela imposição de tarifas sobre o produto brasileiro. Representantes do setor agrícola dos Estados Unidos argumentaram que o país atravessa um ciclo desfavorável na pecuária e, por isso, tem ampliado as importações do Brasil. A defesa apresentada por representantes brasileiros foi de que a carne exportada pelo Brasil é complementar à produção norte-americana, e não concorrente. Ainda assim, esse foi um dos temas em que houve maior pressão pela aplicação de tarifas. Os produtores americanos alegaram que a concorrência seria desleal por causa de problemas como desmatamento ilegal, corrupção e outras práticas ilegais no Brasil. Só que citaram dados sobre o aumento do desmatamento, mas utilizaram recortes que iam até 2022, quando o índice realmente estava alto. Mas foi reduzindo no governo Lula. O etanol também foi alvo de críticas. Representantes americanos questionaram a tarifa de 18% aplicada pelo Brasil ao produto importado. A explicação apresentada foi de que a alíquota vale para todos os países que não integram o Mercosul, e não apenas para os Estados Unidos. Defesa do Pix O professor da FGV Gustavo Pessoa participou da audiência para falar sobre o Pix, e foi o único que levou o tema. Ele salientou que o sistema não discrimina empresas ou consumidores americanos. A representante do Departamento do Tesouro perguntou sobre como o Pix poderia beneficiar os Estados Unidos. - Respondi que o Pix não é um sistema único no mundo, há outras iniciativas parecidas, como Estados Unidos têm também o FedNow. A diferença é que o sucesso do Pix foi muito maior do que todos os outros sistemas. Então assim, os Estados Unidos por ser a maior economia financeira no Ocidente, tinha que aprender com todos esses sistemas, porque é algo que não tem volta. Esses sistemas digitais de pagamento chegaram para ficar. Depende dos Estados Unidos utilizar essa oportunidade para cooperar e aprender e não para retaliar, porque é uma coisa que não vai ter como segurar. Máquinas Patrícia Gomes, diretora de Comércio Exterior da Abimaq, vai participar da audiência de terça-feira. Na sessão do ano passado, a associação preferiu não participar. Agora, porém, o relatório do USTR incluiu integralmente o setor na taxação, sem nenhuma exclusão. Entre os argumentos, Patrícia falará na audiência que há superávit de US$ 1,2 bilhão que o mercado americano tem com o setor de máquinas e equipamentos. Além disso, 82% das exportações do setor são realizadas entre empresas do mesmo grupo, em operações intraempresa. - Não se trata de bens de consumo, mas de máquinas e equipamentos destinados à produção e ao investimento. Portanto, a tarifa terá impacto sobre o próprio investimento norte-americano, em setores como indústria, agricultura e energia. É um comércio complementar, dentro de uma cadeia integrada. O Brasil exporta principalmente máquinas para construção civil e componentes, que complementam a produção americana. Também há dificuldade para substituir fornecedores, porque são máquinas desenvolvidas por projeto e com engenharia específica. Há certificações e relações comerciais de médio e longo prazo envolvidas, que não podem ser substituídas repentinamente.