Quando abriu a caixa de correio de casa, na Flórida, Vinícius Nunes Pinto encontrou um cheque de um centavo. O selo para enviá-lo havia custado 74 centavos. Para o especialista brasileiro em meios de pagamento, o episódio resume um problema que sistemas de pagamento instantâneo procuram resolver: processos caros e lentos para movimentar pequenas quantias.

A história abriu o depoimento dele nesta segunda-feira (6) durante audiência do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), que acusa o Banco Central de favorecer o Pix de forma injusta e discriminatória em relação a outros meios de pagamento. Pinto participou da audiência pública realizada no âmbito da investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

Depoentes brasileiros e americanos defenderam o sistema como uma infraestrutura pública que ampliou a concorrência, reduziu custos para consumidores e empresas e criou oportunidades de negócios, inclusive para companhias dos Estados Unidos.

O processo resultou na recomendação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e também questiona políticas do Brasil relacionadas ao Pix, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e comércio digital.