Anotações, exercícios, simulados e livros ao redor da mesa de estudos em casa. A cena, comum na rotina de vestibulandos, mostra uma fase marcada por cobranças, ansiedade e até uma sensação de insuficiência. A chegada do segundo semestre aciona uma contagem regressiva invisível na mente dos estudantes para os vestibulares e o Enem (Exame Nacional de Ensino Médio), transformando a reta final de preparação em uma verdadeira panela de pressão.

No entanto, essa pressão não começa no terceiro ano do ensino médio. Segundo a professora Rafaela Lemos, coordenadora de orientação educacional do Colégio Poliedro, o peso das expectativas costuma se manifestar antes do ano do vestibular.

"A mudança dos anos finais do fundamental para o início do ensino médio já inicia essa expectativa, porque muda calendário, mudam os professores, as estruturas de aulas. Todo o desenho do ensino médio já é com a proposta do final, dos vestibulares", explica Lemos.

Com essa transição, os estudantes começam a ter simulados no dia a dia e conteúdos densos passam a ditar o ritmo de estudos.

Essa fase ganha contornos diferentes a depender da realidade socioeconômica. Mônica Gobbita, psicóloga e professora da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas), ressalta que o vestibular funciona de maneiras distintas de acordo com a classe social.