O mercado financeiro global começou a precificar os limites físicos e o risco de cauda (tail risk) do ecossistema de Inteligência Artificial. Em um movimento que sinaliza uma importante mudança de maré macroeconômica, a BlackRock — maior gestora de ativos do mundo, com aproximadamente US$ 11,5 trilhões sob custódia — anunciou a alteração formal de sua recomendação estratégica para mercados emergentes na segunda metade de 2026. A instituição já reduziu sua exposição consolidada na classe ampla de ações emergentes, rebaixando a diretriz de overweight (alocação acima da média de mercado) para neutra.

O motivo por trás do recuo não é uma fraqueza generalizada, mas sim o rali expressivo nos mercados asiáticos (notadamente Taiwan e Coreia do Sul), impulsionados pelas cadeias de suprimentos e semicondutores voltados à IA. Essa valorização gerou um forte risco de concentração setorial. Paralelamente a esse recuo na Ásia, a gestora isolou a América Latina como sua principal aposta tática dentro do universo emergente, focando em duas frentes: a renda fixa de alta rentabilidade e ativos tangíveis ligados à infraestrutura e transição energética.

O esgotamento do software e a busca pelo mundo real