[RESUMO] Nos 80 anos de João Bosco, Francisco, filho e parceiro musical, pede ao pai que dê nome às coisas e aos sons que o tornaram o grande artista que é. Todavia, João Bosco, homem-música, prefere o violão a explicações —e entre um acorde e outro fornece as chaves de tudo.
A tarefa: uma entrevista complementar ao texto de Sidney Molina. Pensei em qual abordagem poderia evitar as redundâncias. Decidi por fazer-lhe perguntas que revelassem com quantos e quais paus fez sua canoa.
Isto é, abordá-lo como "fabbro", entrar na sua histórica oficina e perguntar como ele construiu seu canto, suas levadas, seu universo harmônico, seus improvisos vocais. Em suma: pediria a ele que desse palavras às coisas, nomes aos sons que o fizeram tornar-se o que é.
Anunciei-lhe a proposta, ele assentiu, e comecei, confiante.
"Você é considerado um dos grandes violonistas dessa tradição de cancionistas populares que tocam um violão que transcende a mera função de acompanhamento. São violões que a um tempo transbordam e servem à canção. Vamos decompor esse violão em duas mãos e começar pela sua famosa mão direita, a mão das levadas, do ritmo. Quais foram as suas maiores influências para construir essa mão direita?"Eu entrei em sol sustenido verbal com nona e décima-terceira, mas ele respondeu com um acorde simples e lacônico. "Eu nunca soube dessa mão direita. Eu só tocava o violão, com as duas mãos, e os sons saíam, e eu ia ouvindo, aprendendo e fazendo."








