Houve eleições conturbadas no Peru e na Colômbia. A Venezuela voltou a enfrentar uma tragédia, com um terremoto que deixou milhares de vítimas. Ainda assim, não nos enganemos: quando o assunto é política na América do Sul, a Argentina quase sempre consegue atrair os holofotes para si.

E, mais uma vez, conseguiu.

Enquanto a atenção da região se dispersa entre diferentes crises, Javier Milei não pode desviar o olhar de sua própria realidade política. O presidente argentino enfrenta desafios internos que podem ser decisivos para o futuro de seu governo.

Quem concluir, a partir do atual cenário econômico, que Milei atravessa um período de estabilidade talvez esteja olhando apenas para a superfície. É verdade que a inflação desacelerou, os mercados deram sinais de confiança, e parte do eleitorado segue apostando no projeto libertário. Mas a política raramente permite vitórias definitivas.

Milei chegou ao poder prometendo destruir a velha "casta" política e inaugurar uma nova forma de governar, baseada na meritocracia, na austeridade e em um compromisso ético que, segundo ele, diferenciaria seu governo de todos os anteriores. À medida que o mandato avança, porém, cresce a percepção de que a realidade do poder exige concessões que entram em choque com parte desse discurso.