Se for eleito presidente, Flávio Bolsonaro perceberá que o problema de enviar um documento ao governo dos EUA com uma série de promessas é que, mais cedo do que tarde, elas serão cobradas.

Não foram poucas as promessas (ou paths to remediation) que Flávio listou no texto endereçado ao USTR —o Escritório do Representante de Comércio dos EUA— no qual argumenta que o tarifaço beneficia Lula e sugere o adiamento de qualquer medida contra o Brasil para depois das eleições.

Entre elas, uma desperta sensação de déjà vu: libertar o Brasil das "amarras do Mercosul".

Supondo que, por amarras, o senador esteja se referindo à regra segundo a qual Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai não podem negociar acordos comerciais separadamente, Flávio repete a retórica do início do governo de seu pai, Jair Bolsonaro.

Logo após a vitória bolsonarista em 2018, Paulo Guedes declarou que o Mercosul não era prioridade. Depois, tentou reduzir drasticamente a TEC (Tarifa Externa Comum). Junto ao argentino Mauricio Macri, que também tinha uma agenda reformista para o Mercosul, o governo Bolsonaro quis flexibilizar as normas para permitir acordos comerciais individuais.