0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Carga de R$ 1 milhão em canetas do medicamento Mounjaro é apreendida no Aeroporto de Recife — Foto: Divulgação/Receita Federal RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 12:43 Queda de 40% nas ações da Raia Drogasil e impacto do mercado ilegal de canetas emagrecedoras Desde fevereiro, as ações da Raia Drogasil caíram 40% na B3, impulsionadas pelo mercado informal de canetas emagrecedoras. Medicamentos GLP-1, como Mounjaro e Ozempic, importantes para as receitas da empresa, enfrentam concorrência ilegal. Apesar do pessimismo, o Itaú BBA considera exagerada a reação do mercado, prevendo que maior fiscalização pode beneficiar farmácias. Contudo, lucros menores de produtos similares nacionais desafiam o otimismo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO As ações da Raia Drogasil, maior rede de farmácias do país, caem cerca de 40% na Bolsa desde fevereiro, e uma das principais causas é o salto do mercado informal de canetas emagrecedoras. Isso porque medicamentos como Mounjaro e Ozempic devem representar 12% das receitas multibilionárias da RD Saúde em 2026 e chegar a 19% em 2030. Mas, para o Itaú BBA, que fez essas estimativas, o pessimismo com a classe dos medicamentos GLP-1 parece exagerado. “A visão mais negativa no tema GLP-1 se apoia em dois fatores: as vendas de Mounjaro estão estáveis em cerca de R$ 900 milhões por mês desde novembro de 2025, o que é atribuído ao crescimento do mercado informal, e o lucro bruto por caneta de produtos similares e genéricos ficou abaixo do esperado, com margem de cerca de 20%, contra estimativas anteriores acima de 30%”, observaram os analistas do banco, arrematando: “Ainda assim, entendemos que o pessimismo atual parece exagerado, assim como foi elevado o otimismo após os resultados muito fortes do quarto trimestre.” O chamado mercado informal, que inclui produtos manipulados e contrabandeados — o chamado “Mounjaro do Paraguai” —, já representa metade do mercado total de canetas emagrecedoras. Mas o Itaú argumenta que uma fiscalização mais rígida da Anvisa sobre clínicas de manipulação, que hoje representam um mercado estimado em R$ 12 bilhões, deve desencadear uma migração do mercado informal para o formal, beneficiando as farmácias. Lucro menor por caixa O problema é que a migração deve se dar sobretudo para medicamentos nacionais similares, como o recém-lançado pela EMS, que geram menor lucro às farmácias. “O lucro bruto por unidade vendida caiu. Enquanto medicamentos como Ozempic e Wegovy geram cerca de R$ 150 a R$ 160 por caixa, com tíquete mensal de R$ 900 e margem de 17% a 18%, os similares têm tíquete de R$ 300, margem de cerca de 20% e geram aproximadamente R$ 60 por caixa. Essa diferença de 2,5 a 3 vezes assustou o mercado. A compensação pode vir via volume, mas ainda não está claro o quanto a demanda pode crescer com preços mais baixos”, ponderou o relatório do banco. Ainda assim, o Itaú BBA atualizou suas estimativas para a RD Saúde, incorporando os resultados do primeiro trimestre, “um cenário macroeconômico mais desafiador, com juros mais altos, e uma visão mais pessimista dos investidores em relação ao GLP-1”. O banco manteve a recomendação neutra para as ações, mas reduziu o preço-alvo de R$ 27 para R$ 20 ao fim de 2026. Hoje, o papel é negociado a R$ 17,20 na Bolsa.