PUBLICIDADE Especialistas explicam como fatores hormonais podem influenciar retenção de líquido e textura da pele, e por que o quadro não tem uma causa única ou direta 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Anticoncepcional influencia a celulite? Entenda o que pode acontecer — Foto: Imagem gerada por IA CO ASSESSORIA RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/07/2026 - 15:07 Anticoncepcionais e celulite: especialistas discutem mitos e fatos A relação entre anticoncepcionais e celulite é tema de debate, mas não há comprovação científica de ligação direta. Especialistas explicam que fatores hormonais podem influenciar a retenção de líquidos e a textura da pele, mas a celulite é multifatorial, envolvendo genética, estrutura da pele e alterações hormonais. É importante considerar histórico de saúde ao escolher métodos contraceptivos e buscar avaliação médica para sintomas persistentes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A relação entre anticoncepcional e celulite ainda levanta dúvidas entre mulheres que percebem alterações no corpo após iniciar ou trocar um método hormonal. Embora a associação seja frequente no imaginário popular, a ciência não estabelece uma ligação direta e universal entre o uso da pílula e o surgimento do quadro. O que pode ocorrer, na prática, são influências indiretas relacionadas a retenção de líquido, sensação de inchaço, variações na composição corporal e respostas individuais à oscilação hormonal. A celulite é uma condição multifatorial e extremamente comum após a puberdade. Ela não depende apenas de peso, alimentação ou rotina de exercícios, mas resulta da combinação entre estrutura da pele, fibras que conectam a derme ao tecido adiposo, circulação, genética e influência hormonal. Por isso, pode estar presente em diferentes biotipos, inclusive em pessoas magras e ativas, e variar de aparência ao longo do ciclo menstrual, de períodos de retenção ou de mudanças na elasticidade da pele. Segundo Roberto Chacur, médico e criador do protocolo GoldIncision, um dos equívocos mais comuns é atribuir a um único fator a responsabilidade por alterações tão complexas. "Não existe base para dizer que o anticoncepcional, sozinho, cria celulite em todas as mulheres. A celulite é multifatorial. O que pode acontecer é que algumas pacientes percebam mais inchaço, mudança de peso ou alteração na textura da pele após iniciar ou trocar um método hormonal. Isso precisa ser avaliado com cuidado", explica. Ele destaca ainda que diferentes métodos hormonais podem ter efeitos distintos no organismo. Anticoncepcionais combinados, que associam estrogênio e progestagênio, podem estar relacionados à retenção de líquido em algumas pacientes, o que tende a deixar a pele com aspecto mais marcado. Já métodos injetáveis trimestrais, como o acetato de medroxiprogesterona, são mais frequentemente associados a ganho de peso e mudanças na distribuição de gordura em parte das usuárias. Ainda assim, a relação com a celulite permanece indireta, já que as alterações corporais podem evidenciar o quadro, sem necessariamente serem sua causa. Para o especialista, a escuta clínica é fundamental para evitar interpretações simplistas. "Quando a mulher diz que a celulite piorou depois do anticoncepcional, o primeiro passo é entender se houve retenção de líquido, ganho de gordura, piora da flacidez, mudança hormonal ou alteração de rotina. Muitas vezes, a paciente percebe uma mudança real no corpo, mas a causa pode ser a soma de vários fatores", afirma. A escolha do método contraceptivo, segundo Chacur, deve ir muito além de questões estéticas. Ela precisa considerar histórico de saúde, risco cardiovascular, padrão menstrual, presença de acne, tolerância individual, planejamento reprodutivo e acompanhamento ginecológico. Caso surjam sintomas persistentes, como inchaço, ganho de peso significativo ou desconforto corporal após o início do uso, o ideal é buscar avaliação médica para readequação da estratégia. Para a médica Nívea Bordin Chacur, CEO das clínicas Leger, essa é uma das queixas mais frequentes nos consultórios justamente por envolver percepções subjetivas sobre o corpo. "É comum a paciente chegar dizendo que a celulite piorou depois de uma mudança hormonal, de uma fase de inchaço ou de uma alteração no corpo. Nas clínicas, o nosso papel é organizar essa leitura: avaliar pele, circulação, tecido, flacidez, histórico hormonal e rotina. Muitas vezes, a queixa é real, mas a causa não é isolada. Por isso, o tratamento precisa começar com diagnóstico correto, e não com uma conclusão baseada apenas em percepção ou medo", conclui.