A decisão de recorrer à estética hoje passa menos pela busca da perfeição e mais pela autonomia, informação e bem-estar, avaliam especialistas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O que explica o crescimento do mercado de tratamentos para celulite — Foto: Magnific RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/06/2026 - 13:10 Busca por Tratamentos Anti-Celulite Cresce e Mercado Alcança US$ 6 Bi Apesar do crescente discurso sobre aceitação corporal, a busca por tratamentos contra celulite continua em alta, com mercado projetado para superar US$ 6 bilhões na próxima década. A estética está se transformando, focando em protocolos médicos e segurança, enquanto as redes sociais alimentam padrões de beleza. A GoldIncision, técnica brasileira premiada, ilustra essa expansão, destacando a importância de abordagens baseadas em evidências. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Enquanto o discurso sobre o chamado "corpo real" ganha espaço nas redes sociais e na publicidade, a celulite continua movimentando uma indústria global em expansão. O contraste entre esses dois movimentos ajuda a contextualizar uma nova fase do mercado da estética: a valorização da aceitação corporal convive com a procura por tratamentos, cada vez mais voltados a protocolos médicos, segurança e resultados individualizados. Relatórios internacionais projetam crescimento consistente para o mercado global de tratamentos para celulite nos próximos anos. As estimativas indicam que o setor pode superar US$ 3 bilhões até 2030 e ultrapassar US$ 6 bilhões na década seguinte. Embora os levantamentos apresentem metodologias e projeções diferentes, todos apontam na mesma direção. A celulite permanece entre as categorias mais relevantes da indústria da estética, mesmo em um contexto de maior valorização da diversidade corporal. Na avaliação da médica e empresária Nívea Bordin Chacur, CEO da GoldIncision, esse cenário mostra que a aceitação do próprio corpo não eliminou o interesse por procedimentos estéticos, mas transformou a forma como eles são buscados. "Existe uma diferença entre aceitar o próprio corpo e deixar de querer melhorar algo que incomoda. O que vemos hoje é uma paciente mais informada, que não quer promessas milagrosas, mas também não quer ser julgada por buscar tratamento. A estética amadureceu quando passou a falar menos de perfeição e mais de método, segurança e expectativa realista", afirma. Parte dessa tensão também é alimentada pelas redes sociais. Ao mesmo tempo em que ampliaram o debate sobre body positivity, elas continuam difundindo filtros, imagens editadas, poses e referências estéticas. Nesse ambiente, mensagens de aceitação corporal coexistem com padrões de beleza amplamente disseminados. Esse cenário também ajuda a explicar a expansão de um mercado que busca se internacionalizar, impulsionado pela demanda crescente por tratamentos estéticos. Entre os exemplos desse movimento está a GoldIncision, protocolo desenvolvido no Brasil para o tratamento da celulite. Segundo a empresa, a técnica está presente em 10 países e já foi aplicada em mais de 6 mil pacientes. A metodologia também recebeu reconhecimento no AMWC Awards, em Mônaco, com o prêmio de Melhor Tratamento Corporal Não Cirúrgico nas edições de 2023 e 2026. Para especialistas do setor, o avanço desse segmento mostra uma mudança na forma como os procedimentos estéticos são oferecidos. Além dos tratamentos em si, ganham importância fatores como padronização, formação médica, protocolos estruturados e produção de evidências, especialmente em condições complexas e multifatoriais, como a celulite. Criador da GoldIncision, o médico Roberto Chacur afirma que o crescimento da procura também amplia a responsabilidade dos profissionais na forma de comunicar e tratar a condição. "A celulite ainda é abordada de maneira superficial, como se fosse apenas gordura, falta de treino ou descuido com o corpo. Na prática, envolve alterações estruturais da pele, septos fibrosos, circulação, fatores hormonais e características individuais. Quando um mercado cresce, cresce também a necessidade de diferenciar tratamentos baseados em evidências de promessas fáceis", explica. Segundo Nívea, a expansão desse mercado também acompanha mudanças no perfil das pacientes. A decisão de recorrer a tratamentos estéticos, afirma, passou a estar mais relacionada à informação e à autonomia do que à tentativa de atender a padrões externos. "O discurso de corpo real não acabou com a estética porque uma coisa não exclui a outra. A mulher pode aceitar o próprio corpo e, ainda assim, decidir tratar uma característica que a incomoda. O importante é que essa escolha seja respeitada, bem orientada e conduzida com responsabilidade", diz. Ashley Graham simboliza a contradição que move a estética atual: aceitar o corpo não eliminou o desejo por cuidar dele — Foto: Reprodução @ashleygraham Mais do que um aparente paradoxo entre aceitação corporal e procedimentos estéticos, o crescimento do mercado de tratamentos para celulite revela transformações na própria indústria da estética. A combinação entre demanda contínua, avanços tecnológicos e consumidores mais atentos à segurança e às evidências científicas vem redesenhando o setor. Para Chacur, esse movimento exige menos promessas absolutas e mais precisão médica. "A era do corpo real não eliminou a busca por tratamento. Ela apenas mostrou que o paciente quer compreender sua condição, conhecer os limites de cada abordagem e tomar decisões mais conscientes", conclui.