De perfumes com fotos de ídolos a chaveiros, feira do nicho em Tóquio reuniu 240 expositores 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Produtos à mostra na feira de Oshikatsu, em Tóquio — Foto: Eru Ishikawa/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/07/2026 - 21:58 "Oshikatsu Expo: Economia do Fandom no Japão Movimenta Bilhões" A economia do fandom no Japão movimenta US$ 25 bilhões, impulsionada pelos fãs de animes e celebridades. A Oshikatsu Expo, em Tóquio, destacou o crescimento do fenômeno, reunindo 240 expositores de produtos licenciados. Empresas como a Pinole e a Katani exploram novas oportunidades de mercado, adaptando-se a mudanças demográficas e interesses crescentes dos consumidores, especialmente entre jovens e adultos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os fãs japoneses apaixonados por tudo, de ídolos do pop e personagens de anime a criadores de conteúdo na internet, transformaram sua devoção em um dos pilares da economia de consumo do país, resistente até mesmo à inflação. De colecionar pequenos objetos da boneca Hello Kitty a adquirir miniaturas de personagens de mangá, o que antes era considerado um hobby de nicho evoluiu para uma economia de produtos licenciados para fãs estimada em ¥ 4,1 trilhões (US$ 25 bilhões, ou R$ 127 bilhões de reais). O fenômeno, conhecido como oshikatsu, chegou até mesmo a chamar a atenção do Banco do Japão como uma importante fonte de consumo entre os jovens. O número crescente de admiradores tem atraído uma ampla e cada vez maior variedade de empresas interessadas em explorar novas fontes de receita no varejo em uma economia que, de outra forma, segue morna. A Oshikatsu Expo, realizada em Tóquio no mês passado, reuniu mais de 240 fornecedores que montaram estandes para oferecer seus produtos às empresas responsáveis pela gestão de ídolos e personagens populares — um salto em relação aos cerca de 20 participantes da primeira edição da feira, há apenas dois anos. A Pinole, empresa japonesa de fragrâncias que produz perfumes próprios e também desenvolve essências para outras marcas, estava entre os expositores. Seu estande apresentava desde broches colecionáveis e painéis em tamanho real de personagens até capas para smartphones. — As pessoas querem sentir uma conexão com seu ídolo usando a mesma fragrância — afirmou Kei Yamasaki, diretor de desenvolvimento de negócios da Pinole. Embora esse fervor dos fãs e a comercialização de produtos relacionados não sejam exatamente uma novidade, a expansão do universo de mercadorias e o crescente interesse do público em geral vêm despertando o interesse de empresas muito além da indústria do entretenimento, afirma Nanami Semachi, fã que se tornou especialista e hoje orienta empresas sobre como aproveitar o boom do oshikatsu. — O lado oficial do fandom existe há muitos anos — diz Semachi, que cobra ¥ 20 mil (R$ 650) por cursos individuais e ¥ 550 mil (R$ 17,8 mil) por consultorias para empresas. — O que está crescendo agora é o lado não oficial: publicidade feita por fãs, atividades organizadas pelos próprios admiradores, comunidades e novos serviços que dão suporte a esses comportamentos. O oshikatsu não se limita ao Japão. Na Coreia do Sul, fãs de ídolos, personagens e celebridades também praticam o deokjil, um fenômeno cultural igualmente marcado por forte dedicação, mas com uma ênfase ainda maior em atividades coletivas. Em sua maioria, porém, os próprios fãs não estavam presentes no evento realizado em Tóquio, voltado principalmente para empresas interessadas em transformar a devoção dos admiradores em oportunidades de negócio. Uma delas era a Katani, fabricante de folhas de ouro que atua há 127 anos no fornecimento de lâminas metálicas utilizadas em embalagens, cosméticos e peças automotivas. Altar dourado da Katani — Foto: Eru Ishikawa/Bloomberg Uma das ofertas mais inusitadas da empresa era um altar revestido de ouro para que os fãs exibissem a foto de seu ídolo favorito. A peça custa entre ¥ 500 mil e ¥ 600 mil (entre R$ 16 e 19,5 mil), enquanto versões menores são vendidas por cerca de ¥ 100 mil (R$ 3,2 mil). — Queríamos lançar no mercado algo mais glamouroso — afirmou Yasuaki Higashikawa, representante de vendas da Katani. Segundo ele, o produto mais popular da empresa é um porta-fotos dourado para cartões de personagens licenciados. O segmento de oshikatsu gerou cerca de ¥ 80 milhões (R$ 2,59 milhões) em vendas para a companhia, que estuda criar uma equipe comercial dedicada exclusivamente a esse tipo de produto. As mudanças demográficas no Japão estão ajudando a transformar o oshikatsu em um grande negócio, segundo Kohei Okazaki, economista-chefe de mercado da Nomura Securities. Cerca de um em cada quatro consumidores japoneses afirmou praticar o oshikatsu, de acordo com uma pesquisa realizada em janeiro, um aumento de 7,3% em relação ao ano anterior. Embora os gastos dos fãs sejam predominantemente impulsionados por mulheres, boa parte do crescimento recente também vem de homens entre a adolescência e os 40 anos. Atendente mostra anel com personagem durante a feira em Tóqui — Foto: Eru Ishikawa/Bloomberg Inicialmente uma subcultura restrita aos fãs mais fervorosos, o oshikatsu se expandiu à medida que consumidores sem filhos passaram a dispor de mais renda e tempo livre para dedicar às atividades relacionadas aos seus ídolos. Segundo Okazaki, recursos que antes eram destinados a hobbies como automóveis e bebidas alcoólicas estão sendo cada vez mais direcionados ao consumo ligado ao entretenimento. — O que antes era visto principalmente como uma cultura juvenil passou a se disseminar também entre consumidores mais velhos — disse Okazaki. — Agora, as empresas podem direcionar seus produtos não pela idade ou pelo gênero, mas pelo que as pessoas amam. Vidros de perfumes possuem foto dos ídolos — Foto: Eru Ishikawa/Bloomberg Mesmo com a expansão do oshikatsu para além dos admiradores mais dedicados, o mercado vem mudando. O gasto médio anual caiu para cerca de ¥ 210 mil (R$ 7 mil), ante aproximadamente ¥ 255 mil (R$ 8,25 mil) um ano antes, sinal de que apoiadores mais ocasionais estão ingressando em um universo antes dominado por consumidores altamente engajados. Ao mesmo tempo, isso pode aumentar o risco de que o oshikatsu passe a ser visto como um hábito pouco saudável ou que estimule relações de dependência, especialmente entre os jovens, avalia Semachi. — Se a indústria simplesmente continuar tentando elevar indefinidamente o gasto por cliente, corre o risco de destruir a si própria — acrescentou. No estande da Pinole, visitantes experimentavam perfumes decorados com imagens de ídolos do pop e até de jogadores de beisebol. A empresa lançou um aplicativo para smartphones que permite aos usuários interagir com um robô de inteligência artificial capaz de transformar, em poucos minutos, descrições de qualquer personagem ou celebridade em uma fórmula personalizada de perfume. — Temos desenvolvido ferramentas como essa para facilitar a vida das pessoas envolvidas nas atividades de fãs — disse Yamasaki. — É uma forma de trazer essa presença para o espaço pessoal delas. Outros fornecedores também correm para facilitar a monetização dos gastos por impulso dos admiradores. A SDRS desenvolveu uma máquina de vendas automática voltada ao oshikatsu que combina a aleatoriedade dos brinquedos em cápsulas com a venda de produtos de maior valor, cabines fotográficas e minijogos que permitem aos fãs interagir virtualmente com seus ídolos. — O consumo está sendo cada vez mais organizado em torno de um princípio simples: as pessoas querem gastar dinheiro com aquilo que amam — afirmou Okazaki.
Fandom: veja como produtos feitos para fãs de animes e celebridades movimentam US$ 25 bi no Japão
De perfumes com fotos de ídolos a chaveiros, feira do nicho em Tóquio reuniu 240 expositores















