Pelas redes sociais, a família de Félix Tovar, 70, tenta mobilizar doações de ferramentas que ajudem voluntários a escavar os escombros da padaria onde se acredita que ele estava há uma semana, no momento dos terremotos na Venezuela.

Félix é venezuelano e tem residência permanente no Brasil, para onde emigrou com a família há quase 20 anos. O empresário dividia-se entre os dois países. Seu filho Daniel Medina, 28, brasileiro-venezuelano, tem se mobilizado do exterior para buscar informações e insumos.

O relato da família se assemelha ao de muitos outros parentes de vítimas na região costeira de La Guaira, que carecem de máquinas e equipamentos para buscar seus parentes e que contam com voluntários para fazer as buscas.

Daniel e a irmã, Elibel, 38, têm se organizado desde o dia da tragédia. "O que temos desde o dia 1 são voluntários, alguns que nem sequer têm família aqui; não tivemos ajuda do Estado, nenhuma", diz Elibel, que hoje mora no Chile e viajou para a Venezuela. Ela conversou com a reportagem na frente dos escombros do que era a padaria La Almendrina, no setor de Playa Grande.

Félix estava prestes a ir para o Chile ver a filha e o neto. Como viajaria pelo Aeroporto Internacional Simón Bolívar, perto de La Guaira, estava hospedado na cidade, que conhecia como a palma da mão. Um recepcionista da pousada onde ele ficava, cujo edifício não foi destruído, contou à família que Félix havia ido à padaria poucos minutos antes dos terremotos.