Para qualquer brasileiro, a informação de que os termômetros passam dos 40 graus Celsius durante o verão não chega a ser novidade, mas, quando acontece em países nos quais a temperatura média gira historicamente em torno dos 9 aos 11 graus, como na Eslováquia ou na Hungria, o resultado é um caos quase tão perturbador quanto aquele da pandemia da Covid-19. No mês de julho, a Europa enfrenta uma onda de calor extremo que sobrecarrega os serviços hospitalares, fecha escolas, cancela eventos públicos e faz disparar o número de mortes, sobretudo entre idosos e pacientes com comorbidade. Em algumas localidades, governos impuseram um regime de racionamento de água, temendo o que possa ocorrer daqui até o fim da estação mais seca do ano. Os húngaros estão proibidos de trocar a água das piscinas ou de regar jardins. Em outros contextos, o medo é dos incêndios fora de controle. Na França, 72 departamentos dos 101 existentes estão em “alerta vermelho”, gradação usada para designar fenômenos meteorológicos de natureza excepcional e histórica, e seis lidam com alertas máximos para o risco de incêndios.

Ondas de calor como esta não são uma novidade completa na Europa. Na verdade, elas se tornaram cada vez mais recorrentes, duradouras e intensas, confirmando a previsão de especialistas que alertam para os riscos existenciais que a humanidade enfrenta ao começar a lidar com esse quadro como se ele fosse um novo normal. Em todo o continente, mais de 130 milhões de moradores convivem neste momento com temperaturas acima dos 35 graus. Na Espanha, os termômetros ultrapassaram os 45 e, na França, chegaram perto dos 44. As mortes somam 1,3 mil e a temporada de verão está longe do fim e ainda não atingiu o ápice.