A história da literatura mostra que as mulheres escritoras foram deixadas à margem. É recente a mudança de cenário em que elas passam a ocupar – ou até dominar – os espaços literários, seja com lançamentos, seja com a presença em listas de mais vendidos, prêmios e eventos.

Se, por muito tempo, as mulheres que escrevem foram minoria, não é descabido pensar que as que editam eram ainda mais invisibilizadas. A figura do editor, mais discreta que a do escritor, foi majoritariamente vinculada a um imaginário de personagens masculinos. Poderosos, decidiam o que e quem seria publicado.

No mercado editorial brasileiro, não é raro que as casas recebam o nome de seus fundadores: a José Olympio, de ­José Olympio; a Zahar, de Jorge Zahar; a Rocco,­ de Paulo Rocco. Entre os maiores grupos do País, a Record foi iniciada por Alfredo C. Machado e a Companhia das Letras, por Luiz Schwarcz.

“As mulheres que editam são ainda mais escondidas do que as escritoras. A gente vai atrás para ver quem estava nos bastidores. Não é fácil”, diz Ana Elisa Ribeiro, professora titular do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet) e coordenadora do grupo de pesquisa Mulheres na Edição.

Ana Elisa também escreve e edita. Ela é uma das organizadoras de Mulheres Que Editam (Entretantas, 2023), livro que reúne um levantamento de editoras mulheres no País. A obra mapeia mais de 60 profissionais e cada uma recebe um verbete sobre a sua trajetória.