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Primeira mulher a presidir a Fundação Oswaldo Cruz e a comandar o Ministério da Saúde, a sanitarista, professora e pesquisadora Nísia Trindade ganhou destaque nacional durante a pandemia de Covid-19, quando a Fiocruz se tornou um farol de proa contra o obscurantismo científico propagado por Jair Bolsonaro. Após sua passagem pelo governo Lula e às vésperas de sua primeira incursão na política – é pré-candidata a deputada federal pelo PT no Rio de Janeiro –, ela percorre capitais para lançar o livro Ainda Há Tempo (Civilização Brasileira), no qual relembra os momentos mais marcantes do enfrentamento ao Coronavírus e ao negacionismo. Confira os principais trechos da entrevista concedida ao repórter Maurício Thuswohl. A íntegra, em vídeo, está disponível no canal de CartaCapital no YouTube.
CartaCapital: Quão árdua foi a batalha para incorporar ao SUS a vacina produzida pela Fiocruz?Nísia Trindade: Houve uma atitude firme da Fiocruz de utilizar o novo Marco Legal para a Ciência, Tecnologia e Inovação, que permite a compra pública de um produto inovador em desenvolvimento antes de ter sido aprovado pela Anvisa. Isso é de interesse da sociedade, mas é uma decisão que, no caso da gestão pública, requer ousadia porque os controles são rigorosos. Em abril de 2020, ocorreu minha primeira reunião com o Ministério da Saúde para apresentar a proposta de incorporação da vacina da Universidade de Oxford, à época considerada uma das mais promissoras, porque os britânicos pesquisavam há mais de 20 anos outros tipos de Coronavírus. Apontamos a viabilidade de produzir esse imunizante em Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz responsável pelo desenvolvimento de vacinas, a partir da transferência de tecnologia. Isso foi possível graças a investimentos feitos no Complexo Econômico-Industrial da Saúde nos governos Lula e Dilma Rousseff, o que fortaleceu a capacidade de produção nacional. Isto é muito evidente tanto na Fiocruz quanto no Butantan.






