Combinamos assistir ao jogo Estados Unidos x Bósnia, às 20 horas de Nova York, num bairro da pequena e pacata cidade de Morristown, em Nova Jersey, onde a seleção brasileira treina. Morristown não estava pacata. O bar, chamado Homestadt, não permitia mais entradas, de tão lotado.

Fomos a outro, o Revolution, a meia quadra dali. Era possível entrar, pagar uma cerveja e assistir ao jogo em pé, num telão. Não eram latinos, mas americanos mesmo, daqueles definidos numa canção de Caetano Veloso: "São muito estatísticos, têm gestos nítidos e sorridos límpidos. Olhos de brilho penetrante que vão fundo no que olham, mas não no próprio fundo".Olhos fixos no telão, comemoraram o primeiro gol de Balogun, anulado por impedimento pelo árbitro brasileiro Raphael Claus, com auxílio de Danilo Ricardo Simon Manis. Não observaram com a devida atenção para entender a posição irregular, até que a câmera lateral flagrou o calcanhar do atacante à frente do zagueiro da Bósnia.

O bar cantou um sonoro "aahhhhhhh".

Eles entenderam, o que parece um pleonasmo. Todo mundo e no mundo inteiro sabe o que é um impedimento, "offside". Mas, há 32 anos, na primeira Copa nos EUA, juro, um americano virou-se para mim, na posição de observador no Rose Bowl, de Los Angeles, e pediu para que lhe explicasse como funciona o offside.