Preocupação lidera os motivos apontados por responsáveis e cresce 7,8 pontos percentuais em um ano; também é registrada a primeira queda na posse de celulares entre crianças de 10 a 13 anos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Adolescente usa celular tarde da noite — Foto: Freepik RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/07/2026 - 15:53 Preocupação com Segurança Reduz Uso de Celulares por Crianças no Brasil A crescente preocupação com segurança e privacidade é agora o principal motivo para pais brasileiros não darem celulares aos filhos de 10 a 13 anos, conforme dados do IBGE. Em 2025, 32% dos responsáveis citaram essa razão, um aumento de 7,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Pela primeira vez desde 2016, houve uma redução na posse de celulares nessa faixa etária. O debate sobre exposição digital infantil ganhou força com o ECA Digital e casos de exploração online. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A preocupação com a segurança e a privacidade das crianças passou a ser o principal motivo apontado por pais e responsáveis para não dar um telefone celular aos filhos de 10 a 13 anos. O dado foi divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do módulo de Tecnologia da Informação e Comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), e mostra uma mudança significativa em relação aos anos anteriores. Em 2025, 32% dos responsáveis citaram esse motivo, registrando um aumento expressivo de 7,8 pontos percentuais em relação a 2024. O avanço ocorre após um período em que o debate sobre a exposição de crianças e adolescentes na internet ganhou força no Brasil. Em agosto do ano passado, o ECA Digital foi aprovado pelo congresso e passou a valer em março deste ano. O tema já havia repercutido amplamente em 2025 após o influenciador Felca publicar um vídeo alertando para riscos enfrentados por menores nas redes sociais. Ao longo dos meses seguintes, investigações sobre exploração de crianças em ambientes digitais e outros casos envolvendo a segurança de menores também ganharam espaço na mídia, ampliando a discussão sobre o uso precoce de celulares. A pesquisa do IBGE mostra que essa preocupação praticamente dobrou desde 2022. Naquele ano, o principal motivo alegado pelos pais para não dar um celular aos filhos era o preço elevado do aparelho. Em seguida, apareciam a falta de necessidade e o fato de a criança utilizar o telefone de outra pessoa. A segurança e a privacidade ocupavam apenas a quarta posição entre as justificativas. Segundo a educadora e especialista em neuroeducação e desenvolvimento infantil Priscilla Montes, a falta de privacidade que o mundo digital traz para as crianças pode também ter impacto na saúde mental e até no desempenho escolar. — O cérebro infantil ainda está em pleno desenvolvimento, especialmente nas áreas relacionadas ao controle dos impulsos, ao pensamento crítico e à regulação das emoções. A exposição precoce às redes sociais pode aumentar os níveis de ansiedade, afetar a autoestima, gerar comparação constante, estimular a busca por validação através de curtidas e favorecer o contato com situações de violência, assédio e cyberbullying. Além disso, experiências negativas no ambiente digital podem comprometer o desenvolvimento emocional, a sensação de segurança e a construção da identidade. Quando a criança se sente exposta ou ameaçada, isso pode impactar sua confiança, suas relações sociais e até seu desempenho escolar — destaca. Criança no celular — Foto: Freepik Primeira queda no número de crianças com smartphones O levantamento também registrou, pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2016, uma queda na proporção de crianças de 10 a 13 anos que possuem celular, ainda que pequena. Em 2025, 55,2% dos brasileiros dessa faixa etária tinham aparelho próprio, uma redução de 1,5 ponto percentual em relação ao ano anterior. Já entre adolescentes de 14 a 19 anos, a pesquisa também identificou uma estabilidade no número de usuários de smartphones. Segundo o analista do IBGE Gustavo Fontes, essa foi a única faixa etária a apresentar recuo na posse de celulares. Nas demais idades, o crescimento continuou, fazendo com que o percentual de brasileiros com telefone celular chegasse a 89,8%. — A gente tem visto cada vez mais uma preocupação com a segurança das crianças, com a exposição delas nas redes sociais, por exemplo. A gente teve também em 2025 uma restrição ao uso de celulares nas escolas — afirmou Fontes em entrevista à Agência Brasil . Outro indicador reforça essa tendência. O acesso à internet entre crianças de 10 a 13 anos, independentemente do dispositivo utilizado, caiu de 84,9% para 84,4%, sendo novamente a única faixa etária a registrar redução. Entre aqueles que permanecem desconectados, a principal justificativa é a falta de necessidade, mas a preocupação com privacidade e segurança já aparece em segundo lugar. (Com Agência Brasil)