A assimetria de informação entre empresa e credores é o principal obstáculo em reestruturações que chegam tarde demais à mesa de negociação. Fource Consultoria — Foto: Divulgação O Brasil fechou 2025 com recorde de pedidos de recuperação judicial, e uma parcela significativa desses casos tem em comum um elemento que poderia ter mudado o desfecho: a negociação com credores começou tarde, sem método e sem um quadro de informações confiável o suficiente para que ambos os lados tomassem decisões racionais dentro do prazo que o caixa ainda permitia. Quando esses três elementos estão ausentes, a negociação se arrasta, os custos de carregamento aumentam, a deterioração operacional continua e a janela de viabilidade se fecha antes de qualquer acordo ser firmado. É nesse ponto de convergência entre pressão financeira, complexidade relacional e urgência operacional que a Fource Consultoria atua em processos de reestruturação empresarial. A experiência acumulada em diferentes perfis de crise e estruturas de passivo revela padrões consistentes sobre o que separa negociações bem-sucedidas das que se transformam em litígio ou em recuperação judicial desnecessária. Por que o timing é o fator mais subestimado? Em processos de negociação com credores, o momento em que a empresa abre a mesa determina em grande parte o espaço disponível para construir acordos sustentáveis. Empresas que iniciam o diálogo antes que o caixa esteja exaurido chegam à negociação com um ativo fundamental: a capacidade de honrar parcialmente os compromissos durante o processo, o que reduz a percepção de risco do credor e aumenta a disposição para aceitar condições que, em um cenário de inadimplência já consolidada, seriam simplesmente recusadas. A Fource Consultoria trabalha com o mapeamento do passivo e a identificação dos credores estratégicos antes que a situação se torne pública. Esse mapeamento permite priorizar as negociações com maior impacto sobre a continuidade operacional, separando credores cuja inadimplência comprometeria imediatamente a operação daqueles com os quais um alongamento negociado produz resultado equivalente com menor urgência. Sem essa priorização, empresas em dificuldade tendem a distribuir esforço de forma homogênea entre credores com perfis de risco completamente distintos, desperdiçando tempo e capital de negociação em um momento em que ambos são escassos. O problema da assimetria de informação Um dos maiores obstáculos em negociações de reestruturação é a assimetria de informação entre a empresa e seus credores. Credores que não confiam nos números apresentados pela gestão tendem a adotar posições mais conservadoras, exigir garantias adicionais e resistir a condições que dependeriam de projeções de recuperação que não conseguem verificar de forma independente. Essa desconfiança não é irracional. Em muitos processos de reestruturação, as informações financeiras disponíveis refletem meses de deterioração sem registro adequado, projeções elaboradas com premissas que não resistem a um escrutínio técnico básico ou demonstrações que omitem passivos contingentes relevantes. O resultado é uma mesa de negociação em que a empresa precisa simultaneamente reconstruir sua credibilidade e negociar condições favoráveis, dois objetivos que competem entre si pelo mesmo recurso limitado: a atenção e a disposição do credor. O trabalho da Fource Consultoria nessa frente começa pela construção de um quadro de informações auditável, que apresenta a situação real da empresa com a precisão necessária para sustentar as propostas colocadas na mesa. Isso inclui o diagnóstico da geração de caixa operacional por unidade de negócio, a identificação dos passivos contingentes que precisam ser considerados no plano de recuperação e a elaboração de projeções com premissas verificáveis e sensibilidades explícitas. Quando o credor consegue entender e verificar os números, a negociação sai do campo da desconfiança e entra no campo do cálculo racional de interesse, que é onde acordos sustentáveis são construídos. Credores com perfis distintos exigem propostas distintas Empresas com múltiplos credores de perfis distintos, bancos, fundos, fornecedores e debenturistas, enfrentam um desafio adicional que vai além da negociação bilateral. Cada credor tem um perfil de risco, um horizonte de tempo e um conjunto de incentivos que influenciam sua disposição para aceitar condições específicas. O que é aceitável para um fundo com apetite para distressed assets pode ser inaceitável para um banco com restrições regulatórias de provisionamento. O que um fornecedor estratégico aceita em troca da continuidade da relação comercial difere completamente do que um credor financeiro sem exposição operacional está disposto a negociar. A Fource Consultoria estrutura o processo de negociação com consciência dessas diferenças, construindo propostas calibradas ao que cada credor pode racionalmente aceitar. Essa abordagem segmentada é mais trabalhosa do que uma proposta uniforme, mas produz taxas de adesão significativamente mais altas porque reduz a fricção em cada negociação individual e evita que a resistência de um grupo contamine a disposição dos demais. Quando a negociação extrajudicial se esgota Nem toda negociação extrajudicial chega a um acordo. Quando o processo se esgota sem resultado, a recuperação judicial passa a ser o caminho disponível, e a qualidade do trabalho preparatório feito até esse ponto determina em grande parte as condições em que a empresa entra nesse processo. Empresas que chegam à recuperação judicial com diagnóstico claro, passivo mapeado e plano de recuperação estruturado têm condições muito mais favoráveis do que aquelas que entram sem essa preparação. O plano precisa ser aprovado pelos credores, e credores que já passaram por um processo de negociação transparente tendem a avaliar o plano com mais disposição do que aqueles que chegam ao processo sem nenhuma interlocução prévia. A Fource Consultoria acompanha esse continuum, do diagnóstico inicial à negociação extrajudicial e, quando necessário, à estruturação do processo judicial, mantendo a coerência metodológica que garante que cada etapa prepare adequadamente o terreno para a seguinte. É essa continuidade que define se o processo de reestruturação produz resultado real ou apenas transfere o problema para um estágio mais avançado e mais custoso de resolver.