Para 38,6%, razão para o vídeo é "um possível desejo de ser candidata à Presidência no lugar de Flávio" A exposição do desentendimento entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfraquece a pré-candidatura do senador à Presidência na opinião de 64,1% dos eleitores que assistiram ao vídeo da ex-primeira-dama com críticas ao senador, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada hoje. Michelle publicou uma gravação na semana passada em que disse ter sido "humilhada" e "maltratada" pelo enteado, depois de criticar uma aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) nas eleições do Ceará. Questionados no levantamento, 78% dos entrevistados disseram que assistiram ao vídeo, enquanto 22% não viram. Na avaliação de 37,8% dos que tiveram acesso ao material, o episódio "enfraquece muito" a pré-candidatura de Flávio. Para 26,3%, enfraquece "um pouco". Outra parcela, de 9,2%, considera o oposto: 7,1% acham que a situação "fortalece muito", e 2,1% entendem que "um pouco". Para 22,4%, o caso não afeta o projeto eleitoral de Flávio; 4,4% não sabem. A pesquisa, com margem de erro de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, entrevistou 4.999 pessoas pela internet, entre sexta-feira (26) e terça-feira (30). O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-04582/2026. Motivações e lealdade A AtlasIntel também pediu para os entrevistados analisarem hipóteses sobre a motivação principal do vídeo publicado por Michelle. Para 38,6%, a razão é "um possível desejo de ser candidata à Presidência no lugar de Flávio". Para 28,5%, "apenas expor divergências políticas e pessoais". Para 22,3%, "aumentar seu poder político dentro do PL". Uma fatia de 10,7% não sabe. Flávio é o mais citado por eleitores que se declaram de direita, diante da pergunta sobre "o melhor nome para liderar a direita e as pautas conservadoras nos próximos anos, na ausência de Jair Bolsonaro". O senador é visto como a melhor opção por 43,2%. Na sequência, aparecem: o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com 18,4% das menções; o líder do Movimento Brasil Livre (MBL) Renan Santos (Missão), com 14,5%; o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 8,6%; o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com 4,5%; e Michelle, com 3,9%. A maioria (81,9%) dos eleitores declarados de Jair Bolsonaro prefere que o candidato da direita neste ano seja Flávio, enquanto 14,7% têm predileção por Michelle. A resposta "nenhum dos dois" foi dada por 2,1%, e 1,4% não sabe. O grupo de eleitores de Jair Bolsonaro também foi questionado sobre o nível de lealdade de algumas figuras políticas ao ex-presidente. Enquanto Flávio exibe o maior percentual de "lealdade total" (79%), Michelle aparece na quinta posição nesse critério, com 54%. Antes dela, vêm Eduardo (72%), Nikolas (67%) e Tarcísio (58%). Pontos de vista A pesquisa traz visões divergentes sobre os impactos do vídeo, quando comparado o resultado geral com o recorte contendo apenas eleitores declarados de Jair Bolsonaro. No quadro geral, 51% concordam com a decisão de Michelle de publicar o vídeo, enquanto 35,1% discordam. Entre bolsonaristas, o resultado se inverte: 65,6% discordam da decisão da ex-primeira-dama, e 26,5% concordam. As opiniões também são conflitantes sobre acreditar ou não na versão de Michelle de que teria sido "humilhada" por Flávio e que ele teria sido "grosseiro" e "desrespeitoso". No geral, 59,6% acreditam nas declarações, e 29,3%, não. Já entre eleitores de Bolsonaro, 54,6% não acreditam no relato dela, e 29,9%, sim. No resultado geral, 38,3% tendem a concordar mais com a posição de Michelle no conflito, enquanto 20,6% concordam mais com a postura de Flávio. Uma parcela de 21,4% concorda com ambos em parte. Já entre bolsonaristas, 43,2% concordam mais com Flávio, e 17,3% ficam do lado de Michelle. Uma fatia de 33,6% concorda com ambos em parte. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro que assistiram ao vídeo, 53,8% concordam mais com Flávio do que com Michelle, em relação à divergência que eles tiveram sobre a aliança do PL no Ceará. Os que concordam mais com a ex-primeira-dama são 36,7%; 9,5% não sabem.