"O PCC é hoje a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental e, nos últimos anos, expandiu suas operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão. Nos EUA, a facção representa uma ameaça criminal real e crescente", diz o comunicado. A citação do termo "Hemisfério Ocidental" no comunicado é mais um indicativo de que o governo Trump está focado na sua nova estratégia para a América Latina. Ainda em janeiro, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos publicou a nova "Estratégia Nacional de Defesa dos EUA", com o objetivo de assegurar plena dominância militar e comercial "do Ártico à América do Sul". No documento, os Estados Unidos afirmam que estão dispostos a colaborar com países do continente americano. Por outro lado, alertam que podem optar por ações militares onde e quando julgarem que os interesses norte-americanos não estão sendo atendidos. Quando a estratégia foi anunciada, o Departamento de Guerra usou como exemplo a operação militar que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro — acusado de comandar o Cartel de los Soles, considerado terrorista pelos EUA. Segundo o documento, os Estados Unidos buscarão "paz por meio da força". O lema vem sendo usado pelo governo Trump desde o início do segundo mandato do republicano. O combate ao chamado "narcoterrorismo" tem papel central nessa estratégia. Os EUA afirmaram que se reservam o direito de realizar ataques militares diretos contra organizações narcoterroristas em qualquer lugar das Américas.O Departamento de Guerra disse ainda que quer ajudar aliados a desenvolver capacidade para desmantelar cartéis de drogas latino-americanos.Entre outros pontos da estratégia estão o combate à imigração ilegal e a contenção da influência da China na região. Estratégia de política externa Em dezembro de 2024, a Casa Branca divulgou outro documento para traçar a nova Estratégia de Política Externa. Nele, o governo Trump indicou que passaria a focar mais na América Latina. Segundo a estratégia, os Estados Unidos vão passar a reajustar a presença militar em outros países para enfrentar "ameaças urgentes" no Hemisfério Ocidental. Os objetivos estariam ligados a questões de segurança nacional. O documento afirma que o realinhamento militar na América Latina se baseará em três elementos principais: ampliar a presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, combater imigração ilegal e reduzir o tráfico de drogas e de pessoas;reforçar a proteção das fronteiras e intensificar o combate aos cartéis de drogas, incluindo o uso de força letal em alguns casos;estabelecer ou ampliar o acesso dos EUA a locais considerados estratégicos na região. A estratégia diz ainda que os EUA buscam "reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental', com uma "retomada poderosa" da influência sobre a região. O foco seria o combate ao avanço chinês pela região. 🔎 Criada pelo presidente americano James Monroe, a doutrina prevê "a América para os americanos", segundo a qual qualquer tentativa de "recolonização" por outros países seria vista como ameaça direta aos EUA. PCC e CV no radar Em maio, quando classificou PCC e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, os EUA justificaram a decisão alegando que as duas facções estão entre "as organizações criminosas mais violentas do Brasil" e disseram que os grupos "comandam milhares de integrantes" e são responsáveis por "ataques brutais" contra policiais, autoridades públicas e civis. Na época, o secretário Marco Rubio afirmou que a atuação das facções ultrapassava as fronteiras brasileiras e alcançava outros países da região e os Estados Unidos: "O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas". O governo americano disse ainda que a medida reforçava o compromisso da administração Trump de "desmantelar cartéis e organizações criminosas" na região. O governo brasileiro atuava para tentar impedir que os Estados Unidos adotassem a medida. O presidente Lula, inclusive, criticou a decisão, defendeu a soberania e chegou a afirmar que o Brasil não aceitava ser "tratado como moleque". A avaliação no Palácio do Planalto é que a classificação como grupo terrorista abriria margem para ações mais duras dos Estados Unidos.Em um cenário extremo, os norte-americanos poderiam usar esse argumento para conduzir uma operação militar no Brasil, como já ocorreu em outros países.Especialistas em segurança pública também argumentam que a legislação brasileira de combate a facções criminosas prevê penas mais duras do que a lei antiterrorismo. Trump no Salão Oval em 21 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque/File Photo VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1
'Maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental': PCC põe Brasil no centro da estratégia de Trump para as Américas | G1
Nos últimos meses, Casa Branca publicou dois documentos demonstrando interesse em assegurar dominância militar nas Américas. Combate ao narcotráfico está no radar de Trump.









