Os dados mais recentes da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) revelam um aparente paradoxo: embora o deslocamento forçado tenha registrado sua primeira redução em mais de uma década, o retorno de pessoas refugiadas e deslocadas interna para seus locais de origem tem decorrido sob condições precárias, como na Síria e no Sudão, ou sob pressão, como o retorno de refugiados afegãs no Irã e Paquistão, minando a sustentabilidade mesmo dessa solução fundamental.
Hoje, são 117 milhões de pessoas deslocadas à força no mundo –um número inaceitável. Sete em cada dez pessoas refugiadas vivem em situação de deslocamento prolongado, muitos abaixo da linha da pobreza. Essa realidade evidencia que respostas humanitárias são fundamentais, mas não são suficientes para enfrentar situações de deslocamento que perduram há anos ou décadas.
Nas Américas, esse paradoxo persiste. Enquanto o mundo registrou uma queda de cerca de 4% no deslocamento forçado em um ano, nossa região seguiu na direção oposta: essa população chegou a cerca de 23 milhões em 2025 (representando cerca de 19% do deslocamento global), um aumento de 4% em relação a 2024. No Brasil, o número de pedidos de asilo aumentou 11% neste período.






