Presidente do Senado se queixou publicamente de "ataques" feitos por membros do governo para votar o projeto Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência — Foto: Lula Marques/Agência Brasil O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, minimizou as críticas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), às pressões feitas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que o amapaense faça o despacho da proposta de emenda à Constituição (PEC) que coloca fim à escala de trabalho 6x1. Boulos participou, nesta quarta-feira (1), de uma sessão no plenário do Senado para discutir a redução da escala e da jornada de trabalho. "É natural que se tenha, numa democracia, diferenças entre o Legislativo e o Executivo. Ninguém precisa pensar igual desde que se faça um debate de forma respeitosa como tem sido feito. Você não viu da nossa parte nenhuma ofensa, nenhum ataque pessoal, nenhum desrespeito ao presidente do Senado", declarou o ministro a jornalistas. Ontem, Alcolumbre se queixou publicamente de "ataques" feitos por membros do governo, sem citá-los diretamente, para votar a PEC do fim da escala 6x1. De acordo com interlocutores do senador, o amapaense ficou especialmente incomodado com a fala de Boulos proferida no mesmo dia, na qual o ministro diz que o presidente do Senado está "brincando com fogo" ao não colocar a proposta para tramitar na Casa. O chefe do Legislativo teria visto essa afirmação como uma ameaça de uma possível retaliação contra ele. Boulos, contudo, repudiou a comparação feita por Alcolumbre, o qual disse ontem que os ataques de governistas contra o Congresso se assemelhariam àqueles feitos contra o Legislativo nos ataques do 8 de janeiro de 2023. "Não é possível se comparar isso [as pressões para a votação do fim da 6x1] com quem defendia fechar as instituições. Não é possível comparar isso com quem fez plano pra matar presidente eleito, vice-presidente, ministro do Supremo e o presidente do Senado Federal. Você ter críticas à condução de uma pauta como é a 6 por 1 pela presidência do Senado é normal, como é normal o presidente Davi Alcolumbre ter críticas a iniciativas de governo que ele já expressou inúmeras vezes publicamente. Isso é parte de um debate público saudável e precisa ser feito. Agora, como parte desse debate, quero reforçar o apelo pra que a matéria tramite no Senado Federal, que ela seja enviada a CCJ", continuou o chefe da Secretaria-Geral. Boulos tentou diminuir o distanciamento do presidente da República com Alcolumbre, que aconteceu após a rejeição pelo Senado da indicação do petista ao Supremo Tribunal Federal (STF). Pessoas próximas ao amapaense relatam que ele espera um gesto de Lula e uma conversa para dar prosseguimento às matérias de interesse do Executivo federal na Casa. "Eu acho que isso são questões menores. Uma coisa é a relação institucional. O presidente Lula respeita o Parlamento, como é normal numa democracia. É normal numa democracia você ter diferenças. É normal numa democracia o presidente do Senado pensar uma coisa sobre jornada de trabalho e o presidente da República pensar outra. A gente não tem que criar tempestade em copo d'água com isso. Também é normal o governo se colocar em posição de governo e defender suas posições com ênfase, como nós estamos fazendo e apelar para o Senado da República que vote o fim da escala 6 por 1", finalizou Boulos.