A relação interna dos ministros no primeiro semestre foi marcada por turbulências e divergências públicas Presidente do STF Edson Fachin — Foto: Imagem Valor Econômico O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, disse nesta quarta-feira (1º) que “compreensões distintas de fatos e processos, e elas existem, como é próprio de uma Corte plural e independente, são expressão de saúde institucional, não de fraqueza”. A declaração foi feita no encerramento da sessão plenária, última antes de os ministros entrarem em recesso. Após realizar um balanço das atividades da Corte no primeiro semestre, Fachin disse que o STF “honrou” a “missão que a Constituição lhe conferiu, com as limitações próprias de toda instituição formada por seres humanos, com os acertos e inevitáveis erros que o exercício jurisdicional encerra”. Ao citar as diferenças nos entendimentos, no entanto, o presidente da Corte disse que o diálogo é o que dá legitimidade e profundidade ao trabalho da Corte. Durante o recesso, os ministros se revezarão em um esquema de plantão, até que as atividades retornem em agosto. A relação interna dos ministros no primeiro semestre foi marcada por turbulências e divergências públicas. Primeiro por vir a público que membros da Corte tinham alguma relação com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, investigado por supostas fraudes na instituição. Houve também divergências públicas relacionadas à proposta de Fachin de criar um código de conduta para ministros da Corte. A ideia foi criticada por uma ala do STF, que questionava desde o “timing” da proposta até as proposições feitas. O texto está sob elaboração da ministra Cármen Lúcia, que deverá apresentá-lo até o final do ano. Houve também críticas públicas por parte do ministro Gilmar Mendes à condução das investigações do Master pelo relator, André Mendonça. Durante julgamento das prisões de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco, Gilmar afirmou que o caso tinha semelhanças com a Lava-Jato, ainda que com uma “nova roupagem”. Também afirmou em entrevista ao programa Roda-Viva que Mendonça cometeu um “erro crasso” ao conversar com um advogado do caso Master sobre uma suposta “delação seletiva”. Na terça-feira (30), no entanto, ao realizar a sua última sessão como presidente da Segunda Turma, Gilmar disse que confia na atuação de Mendonça e na da Segunda Turma e que divergências sobre medidas processuais não são “sinônimo de desunião”, mas uma das características de tribunais. A partir de agosto, o colegiado será presidido por Luiz Fux. Balanço do STF Na sessão de encerramento do semestre, Fachin realizou um balanço da atuação da Corte no período. Ele afirmou que foram julgados 3.846 processos, sendo 58 em sessões presenciais. O presidente afirmou que, ato toda, foram baixados mais de 43 mil ações e proferidas quase 60 mil decisões, sendo 233 liminares e 24 ainda pendentes de julgamento de mérito. Segundo Fachin o primeiro semestre de 2026 terminou com mais de 21 mil processos em tramitação, com o recebimento de mais de 45 mil processos, o que representa 9% a mais em relação ao ano anterior.