Tratado USMCA, que substituiu o Nafta, agora precisará passar por escrutínios anuais, o que aumenta a incerteza para empresas que produzem na América do Norte 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Caminhões no ponto de entrada da Ponte Internacional Ysleta-Zaragoza, na fronteira entre os EUA e o México, em Juárez, no estado de Chihuahua — Foto: Justin Hamel/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/07/2026 - 13:16 EUA Alteram USMCA: Revisões Anuais Aumentam Incerteza Econômica Os EUA decidiram não renovar automaticamente o USMCA, acordo comercial com México e Canadá, optando por revisões anuais. Essa medida aumenta a incerteza para empresas que produzem na América do Norte, pois o pacto, que substituiu o Nafta, passará por negociações anuais. Essa decisão reflete a insatisfação de Trump com o tratado, apesar de seu apoio inicial, e visa repatriar empregos industriais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os Estados Unidos decidiram não renovar automaticamente seu acordo comercial com o Canadá e o México, informou o Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, optando, em vez disso, por realizar revisões anuais do pacto. A medida pode aumentar a incerteza para empresas que produzem bens em toda a América do Norte. O Acordo Estados Unidos–México–Canadá (USMCA, na sigla em inglês), que renova o antigo Tratado Norte-Americano de Livre Comércio, o Nafta), permanecerá em vigor por mais uma década, desde que nenhum dos três países decida se retirar. No entanto, a adoção de revisões anuais, em vez de uma renovação de longo prazo, abre caminho para anos de negociações potencialmente contenciosas sobre as regras que regem as cadeias de suprimentos continentais e os baixos níveis tarifários, considerados essenciais para montadoras, agricultores e empresas do setor de energia. Falando antes do anúncio oficial, Greer afirmou que o governo Trump “não está disposto a simplesmente referendar o acordo”. — Achamos que existem questões substanciais — disse Greer em entrevista à Bloomberg News nesta quarta-feira, acrescentando que são necessárias diversas mudanças para corrigir desequilíbrios. Embora a decisão dos Estados Unidos não tenha sido uma grande surpresa, ela representa uma reviravolta significativa para o presidente Donald Trump, que havia conduzido a aprovação do USMCA original em 2020 e chegou a classificá-lo como “o melhor e mais importante acordo comercial já firmado”. Em seu segundo mandato, Trump passou a ver o acordo de forma negativa, em parte porque ele protege amplos setores do comércio das tarifas que o presidente pretendia impor e porque fez pouco para reduzir os déficits comerciais dos EUA com o México e o Canadá. As possíveis interrupções e os impactos econômicos mais amplos são expressivos. O USMCA impulsionou a atividade econômica entre os três países, que, juntos, representam quase um terço do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. O comércio intrarregional superou US$ 1,6 trilhão em 2024, ante US$ 1 trilhão quando o acordo entrou em vigor, em 2020. Nesta quarta-feira, data que marcou o sexto aniversário da entrada em vigor do USMCA, os três países poderiam ter prorrogado o acordo — negociado por Trump durante seu primeiro mandato — por mais 16 anos. Esse cenário, no entanto, era considerado improvável, já que Trump deixou claro que desejava promover mudanças no tratado ou, eventualmente, seguir um caminho unilateral. A posição faz parte de um esforço mais amplo de seu governo para repatriar empregos na indústria de transformação e obter concessões de parceiros comerciais. O USMCA proporcionou um certo grau de estabilidade em um período marcado por turbulências, que incluiu os confrontos tarifários de Trump com a China e outros importantes parceiros comerciais. As medidas do presidente para impor novas tarifas vieram acompanhadas de amplas isenções para produtos que atendem aos requisitos do USMCA, amenizando o impacto sobre o México e o Canadá. Ainda assim, outras tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos como automóveis e metais continuam sendo um ponto sensível nas negociações com México e Canadá e deverão dificultar as futuras rodadas de conversas. Trump procurou aumentar a pressão antes do marco de 1º de julho, afirmando que os Estados Unidos estariam em melhor situação sem o acordo. No entanto, esse caminho tende a ser difícil, devido ao apoio bipartidário ao USMCA no Congresso, embora alguns parlamentares e sindicatos defendam que o tratado seja aprimorado. Pelo mecanismo de revisões anuais, os três países poderão tentar chegar a um acordo ao longo dos próximos dez anos. Caso não alcancem uma solução nesse período, o pacto expirará em 2036. — Temos essas negociações em andamento e não sabemos exatamente quando elas vão terminar, nem existe um fator de pressão de curto ou médio prazo que obrigue essas negociações a serem concluídas — afirmou Patrick Childress, co-líder da equipe do USMCA do escritório de advocacia Holland & Knight. — Isso, naturalmente, cria um ambiente de incerteza para as empresas. Washington já participou de negociações formais com o México nos últimos meses, mas, em grande parte, tem evitado negociar diretamente com o Canadá. Trump entrou em choque com o primeiro-ministro Mark Carney, que vem buscando reduzir a dependência comercial do Canadá em relação aos Estados Unidos. Outro fator que complica as negociações é a postura cada vez mais assertiva da China no comércio internacional. À medida que as montadoras chinesas ampliam sua participação de mercado fora dos EUA, questões centrais do USMCA incluem a exigência de um conteúdo mínimo de peças automotivas produzidas na América do Norte e o esforço de Washington para tornar mais rígidas as regras de origem para veículos, motivado por preocupações com o transbordo (transshipment) de componentes chineses por meio de terceiros países. Outro possível foco de atrito é o grau de tolerância ao investimento chinês e até que ponto México e Canadá estão dispostos a alinhar suas políticas às preocupações dos Estados Unidos com a segurança nacional. — O Canadá é um caso interessante, porque em um dia eles dizem: 'Queremos ajudar os Estados Unidos a se reindustrializarem. Queremos ajudar a tornar os Estados Unidos grandes novamente' — disse Greer à Bloomberg News. — No dia seguinte, porém, falam em atrair investimentos chineses. Então recebemos sinais contraditórios do Canadá. Diante do cenário geopolítico e do estilo de negociação de Donald Trump, baseado em maximizar sua margem de pressão, um processo de negociação prolongado pode levar as empresas a adiar investimentos em potencial. Grupos de lobby, entre eles a Câmara de Comércio dos Estados Unidos (US Chamber of Commerce) e a Business Roundtable, têm pressionado os governos a fortalecer e preservar o acordo. "As cadeias de suprimentos são estruturadas com uma perspectiva de 30 anos, e não de cinco. A incerteza pode desestimular investimentos e o crescimento”, escreveu nesta semana Madeline Chalecki, diretora-assistente do Centro de Geoeconomia do Atlantic Council, em uma publicação nas redes sociais. Em maio, associações que representam a maior parte da indústria automobilística da América do Norte enviaram uma carta a Greer, instando o governo a fortalecer e prorrogar o acordo. Em junho, a Câmara de Comércio dos Estados Unidos levou mais de 70 representantes do setor empresarial ao Capitólio para pressionar parlamentares a “apoiar a manutenção da estrutura do acordo, exigir o pleno cumprimento de suas regras pelos três governos e incentivar uma revisão rápida e organizada que proporcione segurança e previsibilidade às empresas”.
EUA decidem não renovar acordo comercial com México e Canadá e passam a exigir negociações anuais
Tratado USMCA, que substituiu o Nafta, agora precisará passar por escrutínios anuais, o que aumenta a incerteza para empresas que produzem na América do Norte













