Negociadores dos Estados Unidos e do México iniciam nesta quinta-feira (28) conversas formais para reformular o acordo comercial da América do Norte, com Washington exigindo regras de origem regionais mais rígidas, incluindo um nível mínimo específico de conteúdo americano para carros e caminhões produzidos no México. O novo padrão está contido em propostas para modificar o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês), disseram à Reuters duas pessoas familiarizadas com a posição negociadora dos EUA. O percentual específico de conteúdo automotivo que os EUA buscam não estava imediatamente disponível no acordo inicial, mas a mudança representa uma alteração significativa em relação ao USMCA atual. O acordo de seis anos e seu antecessor criaram uma economia regional altamente integrada, sustentando cerca de US$ 1,6 trilhão em comércio trilateral anual. Seu futuro, porém, dependerá das negociações ao longo dos próximos meses. O acordo exige que entre 40% e 45% do valor dos veículos produzidos na América do Norte venha de fábricas com salários mais altos — na prática, localizadas nos EUA ou no Canadá. A regra é calculada com base em uma lista de “peças essenciais”, como motores, transmissões, painéis de carroceria e componentes de chassis. Mas os EUA e o México estão excluindo o Canadá das negociações atuais, com planos para três rodadas bilaterais de negociação até o fim de julho, informou na quarta-feira o escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). Isso inclui a rodada atual de negociações, que termina na sexta-feira na Cidade do México. Um porta-voz do USTR não pôde ser localizado imediatamente para comentar, após o horário comercial, sobre as exigências relacionadas às regras de origem. O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou na terça-feira que deseja fortalecer as regras de origem americanas para impulsionar a manufatura nos Estados Unidos. “Acho que, ao longo dessas negociações, vamos discutir regras de origem de uma maneira que aumente o conteúdo americano nesses produtos”, disse Greer. Um vendedor ambulante segura bandeiras americanas e mexicanas durante o Desfile e Festival do Dia da Independência Mexicana em East LA, Los Angeles, Califórnia, EUA, no domingo, 14 de setembro de 2025. — Foto: Kyle Grillot/Bloomberg Fim da zona livre de tarifas As negociações sobre a revisão são complicadas pelas tarifas globais impostas pelo governo Trump de 25% sobre automóveis e autopeças e de 50% sobre aço, alumínio e cobre, encerrando na prática três décadas de comércio livre de tarifas na América do Norte. Greer afirmou que Washington manterá pelo menos parte das tarifas sobre bens industriais mexicanos e canadenses, embora possivelmente em níveis preferenciais. Dan Ujczo, advogado da produtora canadense de petróleo e gás Cenovus Energy especializado em comércio americano, disse estar otimista de que EUA, México e, eventualmente, Canadá conseguirão superar suas divergências para modificar e estender o pacto comercial com regras de conteúdo regional mais rígidas e mais proteções comerciais contra economias consideradas “não de mercado”, como a China. “O objetivo final continua sendo que Canadá e México possam sair dessas negociações com o acesso mais preferencial aos Estados Unidos entre todos os países do mundo no médio e longo prazo”, afirmou Ujczo. Mais proteções para o aço Barry Zekelman, CEO da fabricante de tubos de aço Zekelman Industries, disse que siderúrgicas foram informadas na quarta-feira de que os negociadores do USTR pressionarão por uma exigência de que o aço mexicano e canadense que receber tratamento tarifário preferencial nos EUA seja fundido e vertido (“melted and poured”) na América do Norte. Não existe exigência semelhante no USMCA atual, e Zekelman afirmou à Reuters que isso reduziria a enxurrada de componentes de aço chineses nas operações industriais mexicanas. O USTR também quer que o México iguale as tarifas americanas sobre importações de aço e produtos derivados de aço vindos de fora da América do Norte, disse Zekelman. “O que eles vão fazer agora é começar a fechar todas as brechas que ainda existem”, acrescentou.
EUA e México iniciam negociações sobre comércio e discutem regras automotivas
Novas conversas exigem regras de origem regionais mais rígidas, incluindo um nível mínimo específico de conteúdo americano para carros e caminhões produzidos no México











