Corpos são identificados em porto transformado em centro funerário após terremotos que devastaram La Guaira, deixando mais de 1.900 mortos; milhares de pessoas ainda buscam desaparecidos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Peritos forenses realizam o trabalho de identificação de corpos dispostos no chão em um necrotério improvisado no porto de La Guaira, estado de La Guaira, Venezuela, em 29 de junho de 2026, dias após dois terremotos atingirem o país — Foto: FEDERICO PARRA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/06/2026 - 12:46 Caos e Solidariedade: La Guaira Lida com Terremotos e Desaparecidos Após terremotos devastarem La Guaira, Venezuela, famílias buscam desesperadamente desaparecidos em um necrotério improvisado. Com mais de 1.700 mortos, o porto virou centro funerário. O caos é visível com corpos em sacos e urnas aguardando cremação. As redes sociais são inundadas com fotos de desaparecidos. Críticas à resposta do governo crescem, enquanto a solidariedade entre venezuelanos é destaque. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em um necrotério improvisado no porto venezuelano de La Guaira, atingido pelo terremoto, peritos forenses vestidos com aventais e toucas azuis circulavam entre dezenas de corpos dispostos em sacos sob o sol. Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, que atingiram o país caribenho em sequência e com apenas segundos de diferença, devastaram o estado costeiro próximo a Caracas, reduzindo bairros inteiros a escombros. Milhares de pessoas buscam, angustiadas, familiares desaparecidos, enquanto fotos de crianças, idosos e casais, acompanhadas de nomes, descrições e telefones para contato, inundam as redes sociais. Com o número oficial de mortos ultrapassando 1.900 e os necrotérios dos hospitais lotados, o cais de La Guaira foi transformado em um grande centro funerário, repleto de sacos para cadáveres e caixões. Alguns dos corpos foram cobertos com cal para retardar a decomposição. Moradores permanecem entre vítimas e caixões em La Guaira, no estado de La Guaira, Venezuela, em 29 de junho de 2026, após os dois terremotos ocorridos em 24 de junho — Foto: JUAN BARRETO / AFP Perto de uma tenda branca, cerca de cem urnas vazias aguardavam as cinzas dos mortos após a cremação. — Minha família está aí dentro. Disseram que minha irmã e os filhos dela estão aí, e também os filhos do meu irmão — conta à AFP Wilker Molalla, de 25 anos, enquanto aguardava ser chamado para identificar seus familiares mortos. De sua família de 11 pessoas, apenas Molalla e o irmão sobreviveram. Eles estavam trabalhando quando os terremotos ocorreram, provocando o desabamento de prédios residenciais, centros comerciais e escolas. Carregando buquês de flores, parentes chegaram ao local para identificar seus entes queridos ou receber os corpos para o sepultamento. Peritos forenses realizam o trabalho de identificação de corpos dispostos no chão, próximos a caixões, em um necrotério improvisado no porto de La Guaira, no estado de La Guaira, Venezuela, em 29 de junho de 2026 — dias após dois terremotos atingirem o país — Foto: FEDERICO PARRA / AFP Em hospitais, necrotérios e áreas atingidas pelos desabamentos em Caracas, cartazes com fotografias e descrições de desaparecidos se multiplicam. Familiares percorrem diferentes pontos da região em busca de qualquer pista sobre parentes que ainda não foram localizados. Muitos criticaram duramente a forma como o Estado vem lidando com o desastre, que deixou moradores, em alguns locais, cavando os escombros com as próprias mãos na tentativa de alcançar familiares presos sob os destroços. Identificada por um anel Médicos e peritos forenses examinavam os corpos sob lonas sustentadas por quatro postes antes de emitir certidões de óbito e autorizações para cremação. Peritos forenses alinham corpos no chão, ao lado de caixões, no porto de La Guaira, estado de La Guaira, Venezuela, em 29 de junho de 2026, após os dois terremotos ocorridos em 24 de junho — Foto: JUAN BARRETO / AFP Um caminhão identificado como "Unidade Especial de Resíduos Hospitalares" chegou para recolher os resíduos das autópsias. — Vim ontem e andei por toda parte, mas não consegui encontrar minha filha — diz, abalado, o cozinheiro Antony Marcano, de 41 anos. — Hoje voltei mais calmo e, graças a Deus, a encontrei. Consegui identificá-la — afirma. — Reconheci ela pelo anel que eu havia dado. Marcano participou da retirada do corpo da filha, irreconhecível, exceto pelas roupas e pelo anel. Nas redes sociais, familiares compartilham milhares de fotos de desaparecidos na esperança de obter informações. A plataforma "venezuelatebusca.com", criada após os terremotos para reunir dados sobre pessoas sem paradeiro conhecido, reúne mais de 46 mil registros de desaparecidos. Um enterro digno Como parte da onda de solidariedade entre os venezuelanos, muitas funerárias privadas passaram a oferecer gratuitamente carros funerários para o transporte dos mortos, além de cremações sem custo. Darwin Silva, de 37 anos, foi ao local buscar os restos mortais da mãe, que morreu no conjunto habitacional Hugo Chávez, um dos principais programas sociais do falecido líder venezuelano. — Ela já foi identificada, e me entregaram a certidão de óbito — relata Silva, visivelmente abalado. A mãe dele foi encontrada presa sob uma viga que desabou, tarde da noite, graças à iluminação fornecida por um gerador instalado por vizinhos. O processo de identificação dos mortos tem sido dificultado pelo fato de que alguns parentes ainda se recuperam dos ferimentos em hospitais. Marcano aconselha outras famílias a manter a fé enquanto iniciam o processo de luto. — Rezem a Deus para que consigam dar a eles (seus familiares) um enterro digno — recomenda. Apesar disso, a falta de respostas também alimenta a angústia dos familiares. Rosanna Luna, de 44 anos, que procura a irmã desaparecida desde os terremotos, diz que já percorreu hospitais, necrotérios e áreas de escombros em Caracas sem sucesso. — Sinto que estou de mãos atadas porque não a encontro, não sei nada dela — lamenta. — Tenho pedido a Deus que apareça sã e salva. Mas, se não for assim, que pelo menos apareça.
'Reconheci ela pelo anel': Famílias procuram parentes desaparecidos em necrotério improvisado na Venezuela
Corpos são identificados em porto transformado em centro funerário após terremotos que devastaram La Guaira, deixando mais de 1.900 mortos; milhares de pessoas ainda buscam desaparecidos












