Na placa logo na entrada lê-se: Bolipuertos. São os portos "bolivarianos", do Estado venezuelano, usados para fins comerciais. O que ocorre agora naquele trecho da cidade de La Guaira, na Venezuela, porém, era até há pouco inimaginável. O Bolipuerto se transformou em um necrotério a céu aberto.
A grande maioria dos corpos encontrados nos escombros no município litorâneo que foi o mais afetado pelos terremotos da última semana é levada para o porto. Sob o calor caribenho de mais de 30°C, os cadáveres, alguns já pouco reconhecíveis em decorrência da decomposição, ficam cobertos por sacos pretos enfileirados perto da parede.
Em filas de cadeiras do lado de fora, dezenas de familiares esperam para entrar e fazer o reconhecimento dos seus parentes que podem ou não estar ali entre os mortos. Em alguns casos, foram avisados pelas equipes de resgate que o corpo fora levado para o Bolipuerto. Em outros, estão apenas procurando, em mais uma etapa de uma busca árdua.
A cifra oficial mais atualizada, divulgada pela ditadura venezuelana nesta segunda-feira (29), contabiliza 1.719 mortos, um número que tende a ser muito maior. O indicativo vem da situação nas ruas de La Guaira e também da Organização das Nações Unidas, que comunicou estar em processo de compra de 10 mil sacos para cadáveres na Venezuela como parte do planejamento de sua resposta ao desastre.













