Este era, até há quatro dias, o destino de descanso, a praia dos moradores de Caracas, a apenas 1 hora de carro da capital da Venezuela.

Agora, ainda que com o mesmo azul intenso do mar do Caribe ao fundo, o cenário é de destruição. O odor, de corpos há dias em decomposição. E o som, de tratores operando e de familiares em desespero. Os números oficiais dizem que até aqui há ao menos 1.450 mortos.

No edifício Aguja Azul, uma folha de sulfite colada em uma das únicas paredes ainda em pé diz: "lista de atrapados" (lista de pessoas presas). Foi a forma improvisada que familiares encontraram para juntar telefones de contato aos nomes de seus parentes que podem estar naqueles escombros.

As famílias são quem está na linha de frente das buscas por corpos em La Guaira, a região mais afetada pelos terremotos gêmeos, de magnitude 7,2 e 7,5, que assolaram o país no último em 24 de junho. A data era o feriado nacional da Batalha de Carabobo, fundamental para a independência do país. Boa parte dos venezuelanos estava em casa, descansando.

Dajameles Ramires estava no que restou do Aguja Azul com cerca de dez membros de sua família buscando os parentes. Eles não tinham experiência em resgate de vítimas, mas se trajaram como podiam e começaram o trabalho que parece incessante.