Uma caminhonete abarrotada de corpos em sacos brancos aguardava do lado de fora do necrotério de Caracas neste sábado (27): com os hospitais sobrecarregados após os terremotos na Venezuela, são as famílias dos falecidos que levam seus entes queridos para lá.
Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a região na última quarta-feira (24) em menos de um minuto deixaram, até este sábado, ao menos 920 mortos, 50 mil desaparecidos e um cenário de devastação por todo o país, especialmente em La Guaira, estado vizinho da capital Caracas.
Yessica Mendoza, 43, chegou ao necrotério de madrugada com o corpo da filha. Ela precisou transportá-lo em um carro particular devido à falta de serviços funerários.
Sua filha, Yesimar Rodríguez, 25, e seu genro, Jhomel Anaya, 26, ficaram presos sob os escombros quando o prédio onde moravam desabou durante os violentos terremotos que transformaram sua cidade, La Guaira, no mais devastado local dessa tragédia. "Tivemos que retirá-los nós mesmos; ninguém ajudou", disse a mãe.
Em apenas uma hora, a agência de notícias AFP viu pelo menos três caminhonetes chegarem ao necrotério carregando corpos cobertos com sacos e lençóis. Ao passarem, os veículos deixavam um odor de decomposição.










