Adélio Bispo de Oliveira esfaqueou Jair Bolsonaro no dia 6 de setembro de 2018. Ninguém pode garantir que a facada de Juiz de Fora tenha decidido a eleição, mas um mês depois Bolsonaro conseguiu 46% dos votos no primeiro turno. Fernando Haddad ficou com 29%. A eleição estava decidida e, no segundo turno, o ex-capitão correu para o abraço, com 55% dos votos.
Não foi Bolsonaro quem ganhou, foram Haddad e o PT quem perderam. Lula estava preso em Curitiba, o juiz Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato faziam o que queriam. Nada disso estará no pano verde na eleição de outubro.
Lula terá governado por quatro anos sem maiores sobressaltos, e quem está preso é Bolsonaro. As tensões que ele espargiu, insultando um ministro do Supremo Tribunal e opondo-se a um programa de vacinação durante uma epidemia que matou 700 mil pessoas, viraram uma má lembrança.
A eleição de 2018 foi o apogeu do antipetismo. Em 2022 lida-se com o antibolsonarismo. Assim como em 2018 a soberba petista detonou Haddad, agora a soberba bolsonarista poderá detonar Flávio Bolsonaro e as pesquisas apontam nessa direção. A candidatura do senador tem um sabor dinástico, agravado pelo deserto de ideias do seu campo. Sem a facada de Juiz de Fora e as turbinas da Lava Jato, como a divulgação da delação do ex-ministro Antonio Palocci às vésperas do primeiro turno, o antipetismo não dá caldo.









