Em encontro no Paraguai, líderes fizeram minuto de silêncio pelas vítimas na Venezuela e defenderam ajuda ao país após terremotos que deixaram mais de 1.900 mortos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidentes fazem sinal de positivo durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, na sede da Conmebol, em Luque, no Paraguai, em 30 de junho de 2026 — Foto: DANIEL DUARTE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/06/2026 - 18:56 Cúpula do Mercosul: Apoio à Venezuela e Críticas à Desigualdade Na 68ª cúpula do Mercosul, no Paraguai, líderes destacaram a "assimetria" entre países-membros e ofereceram apoio à Venezuela após terremotos que mataram mais de 1.900 pessoas. O presidente paraguaio, Santiago Peña, criticou desigualdades internas e exigiu "resultados concretos" do acordo com a UE. Um minuto de silêncio foi realizado em solidariedade às vítimas venezuelanas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A 68ª cúpula de presidentes do Mercosul evidenciou, nesta terça-feira, no Paraguai, as diferenças entre seus membros quanto à implementação do acordo com a União Europeia e expressou solidariedade à Venezuela após os terremotos mortais que atingiram o país na semana passada. O presidente paraguaio, Santiago Peña, anfitrião do encontro e responsável por transferir a presidência temporária do bloco ao Uruguai, abriu a cúpula com duras críticas às "assimetrias" internas do Mercosul. — O campo de jogo não está nivelado para todos da mesma forma. Não temos o mesmo mercado, nem as mesmas indústrias, nem a mesma logística — afirmou Peña na sede da Conmebol, em Luque, nos arredores de Assunção. Também participaram os presidentes dos países-membros: Luiz Inácio Lula da Silva, Rodrigo Paz (Bolívia) e Yamandú Orsi (Uruguai), além dos presidentes dos países associados José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador). O presidente da Argentina, Javier Milei, que havia confirmado presença, cancelou sua participação em meio à crise política em seu país provocada pela renúncia de seu chefe de Gabinete em decorrência de um escândalo de suposto enriquecimento ilícito. Trinta e cinco anos após a criação do Mercosul, em 1991, Peña fez uma cobrança contundente. Exigiu "resultados concretos" do acordo com a União Europeia, assinado em janeiro e cuja ratificação pela UE ainda está pendente. 'Gosto amargo' Peña denunciou o "gosto amargo" que a implementação inicial do acordo com a UE deixou para seu país. O presidente paraguaio fez alusão ao problema sensível da distribuição de cotas de exportação com preferências tarifárias no bloco regional para os produtos destinados à UE. — É uma questão de justiça. Um Mercosul sem justiça é qualquer coisa menos um bloco fraterno — queixou-se, quando alguns dos parceiros conseguiram se destacar nas primeiras etapas do novo pacto comercial. A UE oferece cotas de importação com benefícios tarifários e é o Mercosul que deve resolver como distribui o volume entre seus membros. — Se o Mercosul quer ser confiável para fora, primeiro deve ser justo para dentro — afirmou Peña, o primeiro a discursar na cúpula do bloco. — Queremos um Mercosul onde o mais forte pisoteia o mais fraco? — questionou. — O Paraguai mantém sua posição sobre a distribuição das cotas. Isto não é um capricho, isto é justiça. Forte terremoto atinge a Venezuela 1 de 20 Fotografias aéreas mostra comparação do antes e depois do terremoto em La Guaira — Foto: Vantor / AFP 2 de 20 Equipes de resgate seguem em uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes soterrados em Caracas — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 20 fotos 3 de 20 Um homem inspeciona um prédio de apartamentos que desabou após um terremoto em Catia La Mar, no estado de La Guaira, a cerca de 30 km a noroeste de Caracas, em 25 de junho de 2026 — Foto: FEDERICO PARRA / AFP 4 de 20 Registro mostra o interior de uma casa após terremoto na cidade de Catia La Mar — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 5 de 20 Pessoas dormem na rua após o terremoto em Caracas — Foto: Manaure QUINTERO / AFP 6 de 20 Equipes de socorro, incluindo integrantes da Cruz Vermelha Venezuelana, procuram pessoas que possam estar presas sob os escombros — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 7 de 20 Busca por pessoas que possam estar soterradas em Caracas — Foto: Federico PARRA / AFP 8 de 20 Nos próximos dias, o esforço humanitário deverá se concentrar no resgate de sobreviventes — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 9 de 20 As pessoas retiradas dos escombros estão recebendo atendimento médico em clínicas locais — Foto: Federico PARRA / AFP 10 de 20 Grupos de resgate fazem buscas com pessoas nos escombros em Catia La Mar — Foto: Juan BARRETO / AFP X de 20 Publicidade 11 de 20 Prédios destruídos, feridos e pânico: imagens mostram destruição causada por terremoto na Venezuela — Foto: Juan Barreto/AFP 12 de 20 O governo venezuelano declarou estado de emergência após dois fortes terremotos atingirem o país quase consecutivamente — Foto: Juan Barreto/AFP X de 20 Publicidade 13 de 20 Os tremores foram sentidos até na Colômbia e no Brasil — Foto: Federico Parra/AFP 14 de 20 As cenas em Caracas eram de destruição e pânico — Foto: Federico Parra/AFP X de 20 Publicidade 15 de 20 Pessoas do lado de fora gritavam os nomes de seus parentes, e alguns voluntários escalavam os escombros — Foto: Federico Parra/AFP 16 de 20 Diversas áreas ficaram sem energia elétrica. Muitas ruas estavam cobertas de cacos de vidro — Foto: Manaure Quintero/AFP X de 20 Publicidade 17 de 20 Pessoas que evacuaram prédios em Caracas esperaram mais de uma hora antes de retornar — Foto: Manaure Quintero/AFP 18 de 20 Prédios desabaram em diferentes partes de Caracas — Foto: Manaure Quintero/AFP X de 20 Publicidade 19 de 20 Terremotos causaram destruição na Venezuela — Foto: AFP 20 de 20 Terremotos na Venezuela: país registra 10 réplicas após abalos que deixaram ao menos 32 mortos — Foto: AFP X de 20 Publicidade Prédios desabaram em diferentes partes de Caracas Minuto de silêncio pela Venezuela A pedido de Lula, os mandatários fizeram um minuto de silêncio em "solidariedade" à Venezuela e às vítimas dos terremotos mortais que deixaram mais de 1.900 mortos no país. — Quero começar a minha fala dedicando minha solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela diante das perdas humanas e materiais incalculáveis causadas pelos terremotos da semana passada — disse Lula. — Tragédias como essa convidam a uma reflexão sobre a importância da solidariedade e da cooperação regionais. O presidente uruguaio, Yamandú Orsi, anunciou que "esta manhã, as autoridades de gestão de risco de países do Mercosul se reuniram para coordenar ações conjuntas para ajudar" a Venezuela, sem dar detalhes concretos. Na declaração final, os Estados-membros e os países associados "reiteraram sua plena disposição para colaborar em tudo o que estiver ao seu alcance". O bloco também manifestou apoio irrestrito ao governo de Rodrigo Paz, na Bolívia, após semanas de bloqueios de estradas promovidos por sindicatos, povos indígenas e camponeses que exigem sua renúncia, em meio à pior crise econômica do país em quatro décadas. Peña expressou seu "firme repúdio a toda tentativa de desestabilizar a república irmã da Bolívia" e o governo de Paz, "eleito legitimamente em eleições livres e justas", em outubro do ano passado. O chileno José Antonio Kast, cujo país é Estado associado ao Mercosul, manifestou a Paz sua "solidariedade ao seu governo democrático".