Imagine duas pessoas vendendo um apartamento. Ambas obtiveram exatamente o mesmo lucro. A primeira paga o imposto imediatamente. A segunda consegue adiar esse pagamento por alguns anos, mantendo esse dinheiro investido durante todo esse período. Quem termina mais rico?

A resposta parece óbvia. Mesmo que ambas paguem exatamente o mesmo imposto no fim, quem adiou o desembolso teve mais dinheiro trabalhando a seu favor. No mercado financeiro, o tempo também rende juros.

O curioso é que milhares de investidores fazem justamente o contrário quando administram suas carteiras de ações. Não porque desconheçam as regras tributárias, mas porque deixam as emoções decidirem por eles.

O comportamento costuma seguir um roteiro conhecido. A ação que subiu é vendida rapidamente. Afinal, ninguém quer correr o risco de perder um lucro já conquistado. Já a ação que caiu permanece na carteira por meses ou até anos. O investidor prefere esperar uma recuperação a admitir o prejuízo.

Esse comportamento foi amplamente estudado por Daniel Kahneman, vencedor do Nobel de Economia. Em geral, somos avessos ao risco quando estamos ganhando e excessivamente tolerantes ao risco quando estamos perdendo. O problema é que esse viés não prejudica apenas a qualidade das decisões de investimento. Ele também aumenta a conta do imposto.