Entre os 400 mil que retornam ao sul do país, muitos encontram moradias danificadas, enquanto outros 600 mil permanecem deslocados Pessoas deslocadas transportam seus pertences em carros, enquanto retornam para suas casas, após um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, em Bir Al-Salasil, distrito de Tiro, sul do Líbano , 15 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Aziz Taher Cerca de 400 mil libaneses deslocados pela guerra já retornaram ao sul do Líbano, e espera-se que muitos outros façam o mesmo na próxima semana, informou nesta terça-feira (30) a ministra dos Assuntos Sociais, impulsionados pela trégua nos combates após quatro meses de conflito entre Israel e o Hezbollah. No entanto, muitos ainda não conseguem voltar. Desde março, cerca de 1 milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, e um grande número continua vivendo em abrigos ou moradias temporárias porque suas residências foram destruídas ou se tornaram inabitáveis, afirmou Hanine El Sayed. Cerca de 40% dos deslocados já retornaram a suas cidades e vilarejos. O número de pessoas alojadas em abrigos coletivos caiu acentuadamente, passando de aproximadamente 37 mil para cerca de 13 mil, disse ela. Embora alguns abrigos permaneçam abertos para famílias que não podem retornar, os programas de assistência — incluindo apoio financeiro emergencial — continuarão. O número de abrigos caiu de 692, no auge da crise, para 479, e centros adicionais foram abertos em Nabatieh para aqueles que desejam permanecer próximos de suas áreas de origem. El Sayed afirmou que os números gerais escondem uma diferença entre aqueles que conseguiram retornar e os que continuam deslocados. “Essas são famílias que conseguem voltar para alguma coisa, ao menos para o mínimo básico”, disse ela à Reuters. “O fato de os demais não terem retornado significa que enfrentam uma situação muito mais difícil.” As autoridades esperam novos retornos nos próximos dias e acreditam que conseguirão avaliar, dentro de aproximadamente uma semana, quantas famílias não poderão voltar de forma alguma. “Daqui a cerca de uma semana (...) saberemos realmente a dimensão do problema — quantas pessoas absolutamente não podem retornar porque suas casas foram totalmente destruídas”, afirmou. Desafios da volta Para muitos, voltar para casa não significa retomar a vida normal. As famílias frequentemente encontram residências danificadas, escassez de eletricidade e água, além de empresas e meios de subsistência destruídos, enquanto o governo trabalha para restabelecer serviços básicos e ampliar programas de assistência financeira, apoio ao aluguel e geração de emprego. Imagem de satélite mostra casas destruídas no povoado de Froun, no Líbano — Foto: Airbus DS 2026/REUTERS Ainda assim, apesar dessas dificuldades, muitos optam por retornar. “Muitas pessoas do sul têm uma forte ligação com suas terras e querem, legitimamente, retomá-las”, afirmou El Sayed. O governo estima que o Líbano precisará de bilhões de dólares para reconstruir casas e infraestrutura danificadas, recursos dos quais o país atualmente não dispõe, disse a ministra. Quase 90 mil unidades habitacionais foram destruídas total ou parcialmente no conflito mais recente, somando-se aos extensos danos provocados por confrontos anteriores. Na semana passada, Israel e o Líbano assinaram um acordo base mediado pelos Estados Unidos que estabelece um processo gradual pelo qual o Exército libanês assumirá o controle de áreas atualmente ocupadas por forças israelenses, à medida que o Hezbollah for desarmado. A reconstrução começará em “zonas-piloto” designadas para permitir o retorno dos civis.
Centenas de milhares no Líbano voltam para casa após trégua com Israel
Entre os 400 mil que retornam ao sul do país, muitos encontram moradias danificadas, enquanto outros 600 mil permanecem deslocados










