Os combates no sul do Líbano diminuíram nesta segunda-feira após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, mas autoridades locais advertiram aos milhares de deslocados a não se apressarem a retornar para casa, enquanto Israel afirmou que não retirará suas tropas da região. O Líbano sofreu o mais mortal transbordamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, com quase 3.800 pessoas mortas e cerca de 1,2 milhão de deslocados por uma ofensiva israelense contra o Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã que abriu fogo contra Israel em apoio a Teerã em 2 de março. O Paquistão, mediador-chave entre Teerã e Washington, anunciou que um acordo foi alcançado nas primeiras horas de segunda-feira, pelo horário local, prevendo “a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano”. A declaração trouxe relativa calma ao sul do Líbano, segundo fontes de segurança libanesas e estrangeiras. Um integrante do Hezbollah disse à Reuters que o grupo não realizou nenhuma operação desde o anúncio do acordo, acrescentando que sua posição em relação ao cessar-fogo está vinculada ao cumprimento dele por parte de Israel. Em comunicado divulgado posteriormente, o Hezbollah recebeu positivamente o memorando de entendimento entre EUA e Irã, afirmando que ele resultou em uma trégua abrangente em todas as frentes de batalha, inclusive no Líbano. Na nota, o grupo apoiado por Teerã advertiu Israel de que não aceitará quaisquer ataques que violem a soberania do território libanês ou tenham como alvo a população do país. Além disso, o Hezbollah afirmou que a inclusão do Líbano no acordo reflete o compromisso do Irã com o fim da guerra. Israel reduziu significativamente seus ataques, disseram as fontes de segurança, embora tenham sido registrados disparos de artilharia em cidades do sul do Líbano e um drone tenha sido ouvido sobre Beirute e seus subúrbios ao sul. No sul do Líbano, conselhos municipais pediram aos moradores que adiem o retorno para suas casas. A força aérea israelense bombardeou intensamente algumas localidades da região nos últimos três meses, e outras, mais próximas da fronteira, ainda estão ocupadas por tropas israelenses. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, cujo país não é parte do acordo entre EUA e Irã, afirmou que Israel não se retirará das zonas de segurança no sul do Líbano, em Gaza e na Síria, e que retaliará caso o Irã ataque Israel em razão de acontecimentos no Líbano. Katz afirmou que a zona de segurança no sul do Líbano será esvaziada de moradores locais e de “toda a infraestrutura terrorista, incluindo casas em vilarejos da linha de contato”, em referência ao Hezbollah. As Forças Armadas israelenses vêm arrasando vilarejos no sul do Líbano há semanas, afirmando agir contra militantes do Hezbollah que estariam infiltrados em áreas civis dessa região de maioria muçulmana xiita. Centenas de milhares de xiitas libaneses estão abrigados em outras partes do país. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, divulgou nesta segunda-feira uma declaração cuidadosamente redigida em resposta ao acordo entre EUA e Irã, afirmando ser grato àqueles que trabalharam pela redução das tensões no Líbano e valorizando o reconhecimento, pelo acordo, da importância da estabilidade de seu país. Ele não mencionou especificamente nem o Irã nem Israel. Aoun já havia acusado Teerã de usar o Líbano como moeda de troca em suas negociações com Washington. O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado político do Hezbollah e líder do movimento xiita Amal, afirmou que o acordo lançou “as bases para a segurança e a estabilidade na região, incluindo o Líbano”. Em comunicado, Berri agradeceu a Washington e Teerã por incluírem no acordo a interrupção dos ataques israelenses ao Líbano e descreveu essa cláusula como vinculante.
Ataques no Líbano diminuem após acordo, mas Israel diz que manterá tropas no país
Autoridades libanesas alertaram aos milhares de deslocados pela guerra que não se apressem para retornar para casa
EUA e Irã anunciaram cessação de operações militares em Oriente Médio, reduzindo ataques no Líbano que causou 3.800 mortes. Ocupação israelense persiste e riscos geopolíticos afetam estabilidade para operações cloud, data governance e compliance em mercados MENA.








