No rastro de Candido Portinari, a obra de Lina Bo Bardi vai mostrar outras caras do Brasil aos chineses. Centenas de trabalhos da arquiteta italiana radicada no país, entre desenhos, móveis, maquetes de suas construções, vídeos e reproduções de trabalhos, estarão no centro cultural Power Station of Art, em Xangai, a partir do fim de julho.

Sua exposição, dentro do quadro das mostras do ano que celebra, pela cultura, as relações diplomáticas entre Brasil e China, ocorre em paralelo à mostra dedicada a Portinari, recém-aberta em Pequim. A megalópole chinesa, cravejada de arranha-céus cintilantes, verá o lado mais terreno e delicado do trabalho da arquiteta do Masp.

Um dos eixos centrais da mostra, que os chineses esperam vão reverberar com o público do gigante asiático, será a vivência da arquiteta em Salvador, onde trabalhou na renovação radical do Museu de Arte Moderna da Bahia, na Casa do Benin e no complexo da ladeira da Misericórdia, agora em restauro.

Sua aproximação com a cultura popular e técnicas construtivas tradicionais, que moldaram parte de sua visão mais tarde para o Sesc Pompeia, em São Paulo, dialoga, na visão dos curadores, entre eles o brasileiro Renato Anelli, com o histórico construtivo chinês, entre a metrópole e o campo. É a ideia de monumentalidade para todos, o restauro de estruturas históricas e uma perspectiva etnográfica, calcada em soluções populares espontâneas, a tal arquitetura vernacular, além da teatralidade das construções, que está no centro conceitual da mostra.