0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Novo programa do governo propõe troca de dívidas por juros mais barato para quem ainda não é considerado inadimplente — Foto: Arquivo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/06/2026 - 14:28 Especialistas Apoiam Desenrola Adimplentes, mas Alertam Sobre Juros Altos Especialistas aprovam o programa Desenrola Adimplentes, que visa aliviar famílias em dia com suas contas, mas alertam para o risco de perpetuação dos juros altos no Brasil. Economistas destacam que, embora a medida estimule o consumo a curto prazo, a manutenção dos juros elevados, impulsionada por pressões inflacionárias, não resolve o problema estrutural do endividamento. Além disso, há ceticismo quanto à adesão dos bancos ao programa, que limita os juros a 1,99% ao mês. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Que os brasileiros precisavam de alívio, ninguém tem dúvida. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a proporção de famílias endividadas bateu um novo recorde de 81,6% em maio. O Desenrola Adimplentes, avaliam economistas, chega como uma resposta aos críticos que apontavam o risco moral criado pelos últimos programas voltados aos inadimplentes, como se houvesse um desincentivo para manter as contas em dia, já que aos devedores sempre seria garantida a renegociação das dívidas. No entanto, os especialistas temem que tanto o Novo Desenrola quanto o programa para adimplentes contribuam para manter os juros elevados por mais tempo. Na avaliação deles, justamente os juros altos são a causa estrutural do endividamento dos brasileiros. — Pensando na situação dos brasileiros, as medidas são adequadas. Faz sentido o governo ajudar as famílias que estão, de fato, em uma situação muito difícil. Mas, ao reduzir a parcela da renda comprometida com as dívidas, o efeito é o aumento do consumo. Isso é positivo, no curto prazo, para a atividade econômica, mas pressiona a inflação e contribui para a manutenção dos juros em um patamar elevado, o que, no médio e no longo prazo, provoca um efeito rebote, pois corrói o poder de compra da população — analisa o economista Alexandre Chaia, do Insper. João Mário de França, pesquisador do FGV Ibre, vai na mesma direção. Para ele, o alívio é apenas conjuntural, já que a melhora efetiva do endividamento das famílias brasileiras passa pela redução dos juros básicos da economia, representados pela taxa Selic. — O programa para os adimplentes vai na direção correta ao oferecer estímulos para quem ainda não pode ser considerado inadimplente. Afinal, ele beneficia quem está em dia ou tem atraso de até 90 dias, faixa que ainda não entra na classificação de devedor. Conjunturalmente, há uma melhora. Prova disso é o que temos visto nas pesquisas, com a melhora da percepção dos brasileiros sobre a economia. Mas a tendência é que, com o tempo, o endividamento volte aos patamares anteriores, porque o problema estrutural não é resolvido. O problema são os juros da economia, e isso depende de melhora fiscal do governo e de controle da inflação — reforça França. Sobre esse risco de novo endividamento, Chaia critica, entre as medidas anunciadas hoje, a possibilidade de concessão de novo crédito aos beneficiários do programa. O economista também demonstra preocupação com o uso do FGTS como garantia no crédito consignado. Se, por um lado, considera positiva a definição do teto de juros de 1,99% ao mês para os trabalhadores da iniciativa privada, aproximando-os das condições oferecidas aos servidores públicos, por outro teme a ampliação do uso do FGTS como garantia indiscriminada de crédito. — Não ficou muito claro se haverá um limite para essa utilização. Na apresentação do programa, o ministro falou em até 50% da dívida — ressalta. Na visão do pesquisador do FGV Ibre, um dos principais entraves para o sucesso do Desenrola Adimplentes será a adesão dos bancos. França não acredita que as instituições financeiras tenham interesse em trocar dívidas mais caras por operações com juros limitados a 1,99% ao mês para consumidores que seguem pagando suas contas. — Qual é o interesse dos bancos em cobrar uma taxa menor de quem está pagando suas dívidas, mesmo sabendo que essas pessoas fazem isso com enorme sacrifício? Não vejo qual será o incentivo para o setor aderir — pontua. Mais cedo, uma fonte do setor já havia sinalizado ao blog que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), diferentemente do que fez em relação ao Novo Desenrola, não daria apoio institucional ao programa para adimplentes.