Resumir um PDF de cem páginas em pouco tempo, montar a planilha de fluxo de caixa ou criar a imagem de um post para o Instagram. Essa são tarefas que damos cada vez mais às plataformas de inteligência artificial (IA). O que era só uma inovação tecnológica distante virou ferramenta de trabalho, estudo e organização da rotina de muita gente, até mesmo quem não tem tanta intimidade com o mundo digital. Com a popularização das ferramentas de IA, porém, vem uma nova dúvida para o bolso: vale a pena pagar por um plano de IA ou a versão gratuita já resolve? Para responder a essa pergunta, O GLOBO preparou um guia com características, condições e preços das plataformas de IA mais populares, a partir de uma comparação feita por Paulo Foster, coordenador geral da Escola Brasileira de Arte e Tecnologia (Ebat). O que muda quando você paga? As principais plataformas de IA, como o ChatGPT, da OpenAI, e o Gemini, do Google, entregam uma versão gratuita que resolve o básico e reservam os recursos mais potentes para quem assina. Os preços dos planos pagos variam de R$ 35 a mais de R$ 700 por mês. Parte dos pacotes é cobrada em dólar, fazendo com que a conta final pese mais do que o preço exibido na tela. A primeira coisa a entender é o que a versão paga entrega. Em geral, os planos liberam mais possibilidades de uso, como o envio de arquivos, e modelos com maior potência. Podem variar a profundidade de pesquisas e a qualidade na geração de imagem e voz, além da memória das conversas e a possibilidade de integração com aplicativos de trabalho e estudo. Mas pagar não é obrigatório e nem sempre necessário. A versão gratuita já dá conta do básico para muita gente, diz Foster. A assinatura começa a valer quando há uso frequente e um ganho real de tempo, processo ou qualidade de entrega. Em vez de assinar a ferramenta mais famosa ou a que todo mundo está usando, a melhor forma de decidir é entender as próprias necessidades e ver qual solução tecnológica mais se adapta a elas, pondera o especialista. — A melhor IA não é necessariamente a mais conhecida. É a que entra melhor na rotina real do usuário — diz. — Só vale pagar quando a ferramenta ajuda a tirar peso do repetitivo e melhora o uso do tempo humano. Paga não significa perfeita As versões premium das plataformas, porém, nunca eliminam a necessidade de revisar o resultado obtido. Ben-Hur Correia, jornalista e pesquisador de IA da Globo, reforça que a assinatura amplia a capacidade de uso, mas não garante confiabilidade total: — A checagem humana é necessária sempre. O humano nunca vai sair do circuito de ação junto com a inteligência artificial. Compare os planos de 6 plataformas de IA Limites das plataformas Mesmo em planos pagos, o uso da IA não é infinito. A explicação está nos tokens, medida do esforço da plataforma para gerar uma resposta. Ben-Hur compara um token a uma sílaba de uma palavra. Funciona assim: cada trecho de texto que você digita e cada resposta que a ferramenta gera são quebrados em milhões desses microconteúdos, que o sistema processa um a um. Quanto mais longa e complexa a tarefa, mais tokens são consumidos. — É o quanto de processamento ele está usando. É o esforço que você coloca numa máquina para gerar aquela resposta — explica Ben-Hur. Para ter uma ideia da escala: a conversão mais usada é de cerca de 0,75 palavra por token em inglês. Em português, a relação é um pouco menos favorável: entre 0,65 e 0,70 palavra por token, porque o tokenizador foi otimizado para o inglês. Isso significa que 1 milhão de tokens equivale a algo entre 650 mil e 750 mil palavras em português. Segundo ele, tarefas mais complexas, como desenvolver código e analisar muitos documentos, exigem mais da ferramenta e gastam o limite mais rápido. Textos em formatos editáveis, como Word, tendem a exigir menos processamento do que PDFs. Ainda assim, Ben-Hur explica que essa diferença é pequena: — Hoje não é tão abissal se comparada com outros usos de IAs. Para Paulo Foster, da EBAT, a limitação tem uma razão física: — Quanto mais avançado o modelo, mais tokens gasta, porque mais processamento, mais energia que a empresa tem que gastar. É uma equação de processamento, energia e infraestrutura que explica por que os limites existem mesmo nos planos mais caros. Mas saber que o limite existe não evita o desperdício de tokens. O erro mais comum, segundo Ben-Hur, é deixar ativado um modo de raciocínio mais complexo para tarefas simples. — Às vezes você deixou aquele modo de raciocínio mais complexo ativado para uma tarefa muito simples — alerta. Em plataformas como ChatGPT, Claude e Gemini, o usuário consegue selecionar, dentro da própria conversa, entre modos mais rápidos e econômicos e outros voltados a tarefas mais pesadas — chamados em alguns serviços de "thinking", "raciocínio" ou "pesquisa profunda". — O que eu mais vejo as pessoas gastando de forma inadvertida é isso: elas não percebem o modelo que está acionado. O modo de raciocínio não é um plano diferente, mas é uma opção disponível dentro das versões gratuitas e pagas. Para perguntas simples e respostas curtas, o modo básico costuma dar conta e poupa o saldo para quando a tarefa realmente exigir mais. Outro fator que pesa é o tamanho das conversas. Aquelas que são muito longas consomem mais tokens porque o sistema precisa processar todo o histórico a cada nova resposta. — É muito melhor você fracionar a sua conversa, iniciar conversas novas a cada período — recomenda Ben-Hur. Confira as plataformas de IA de imagens O que pesa no bolso Há planos cobrados em reais e outros em dólares, o que faz a conta variar conforme o câmbio, os impostos e as tarifas do cartão. Nas assinaturas internacionais, o valor pode incluir o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o spread cambial — taxa adicional cobrada pelo banco — e a cotação do dólar no dia da cobrança. — Se estiver em dólar, a conta vai variar conforme a cotação daquele dia e do spread que o banco cobra — explica Ricardo Teixeira, coordenador do MBA de Gestão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV). Para Samuel Barros, reitor do Ibmec Rio, plataformas que cobram em reais tornam o gasto mais previsível, porque eliminam parte da incerteza da compra internacional. Já os planos anuais podem proteger o consumidor da variação cambial, mas exigem cautela: — Em termos de tecnologia, pode não ser a melhor estratégia, porque a inteligência artificial pode ficar obsoleta em menos de um ano. Barros lembra que, nas assinaturas mensais, o usuário também deve observar a data da recorrência da cobrança. — Pela legislação brasileira, o que influencia é a data da compra do plano. O dólar do dia da cobrança é o que vai ser aplicado naquela compra internacional — afirma.
Vale a pena pagar assinatura de inteligência artificial? Guia mostra preços e o que muda nos planos das plataformas
Antes de decidir, confira um painel comparativo de IAs com o que muda na versão paga, limites de uso em diferentes níveis das plataformas e quanto a assinatura pesa no bolso












