Na semana passada, María Corina tentou viajar dos EUA para Curaçao com a ajuda de contratados privados de segurança, com a intenção de chegar ao país sul-americano, dizem fontes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 María Corina Machado, líder oposicionista da Venezuela, chega à Casa Branca para reunião com Trump — Foto: Brendan Smialowski/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/06/2026 - 21:02 María Corina Machado desafia regime de Delcy em meio a crise sísmica María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, tenta retornar à Venezuela em meio a devastadores terremotos que desafiam a resposta do governo de Delcy Rodríguez. A tentativa de retorno de Corina, enfrentando riscos e sem passaporte válido, poderia aumentar a tensão política. Enquanto isso, Delcy busca manter controle sobre a ajuda humanitária, provocando críticas e descontentamento popular. O retorno de Corina poderia testar a habilidade de Delcy em lidar com a crise e a oposição, moldando a percepção de seu governo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, está trabalhando para retornar ao país o mais rápido possível, segundo pessoas com conhecimento direto de seus planos. A medida pode remodelar o cenário político enquanto a presidente interina Delcy Rodríguez enfrenta dificuldades para responder ao pior desastre natural da Venezuela em décadas. Na semana passada, María Corina tentou viajar dos EUA para Curaçao com a ajuda de contratados privados de segurança, com a intenção de chegar à Venezuela, segundo essas pessoas, que pediram anonimato para falar publicamente. A equipe de segurança já se preparava para recebê-la na pequena ilha holandesa ao largo da costa venezuelana, mas ela cancelou a tentativa depois que o governo do presidente americano, Donald Trump, deixou claro que a viagem ocorreria por sua conta e risco, sem apoio dos EUA, disseram as fontes. Diversos integrantes do governo americano informaram à líder opositora e sua equipe que temem que seu retorno possa provocar um confronto com o regime atual e desviar a atenção dos esforços de resgate, afirmaram as fontes. No entanto, ela recebeu incentivo de pelo menos um alto funcionário da administração Trump. Ainda não está claro se as preocupações da maioria dos assessores de Trump envolvidos na política para a Venezuela, somadas ao fracasso da tentativa de viagem, adiarão ou cancelarão seus planos. Um dos obstáculos é que María Corina não possui um passaporte venezuelano válido e precisa de autorização para viajar, disseram as fontes. Assim, qualquer tentativa de retornar ao país sem a permissão do governo pode resultar em um confronto com as autoridades em Caracas. Os planos para que contratados privados de segurança a protegessem após sua chegada à Venezuela também representavam outro risco de conflito. A opositora machucou as costas ao fugir secretamente da Venezuela para Curaçao, em dezembro, para seguir viagem até a Noruega, onde aceitou o Prêmio Nobel da Paz. Essa jornada perigosa incluiu uma travessia noturna em um pequeno barco, com o auxílio da Grey Bull Rescue, uma organização sem fins lucrativos liderada por veteranos de combate dos EUA e especializada em operações de extração. Embora o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e outras autoridades em Washington apoiem o eventual retorno de María Corina após a celebração de um acordo com o governo Delcy, o governo de Trump também pediu que ela tivesse paciência, alertando que voltar cedo demais poderia aumentar a polarização e a instabilidade. Esse risco seria ainda maior diante da pressão causada pelo terremoto desta semana, que matou mais de mil pessoas. Equipes internacionais chegam à Venezuela para auxiliar resgates após terremoto 1 de 11 Bombeiros e militares brasileiros embarcam em uma aeronave da Força Aérea Brasileira para uma missão de ajuda humanitária à Venezuela — Foto: NELSON ALMEIDA / AFP 2 de 11 Bombeiros equatorianos da equipe de Busca e Resgate Urbano (USAR, na sigla original) chegam ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em La Guaira. — Foto: Federico PARRA / AFP X de 11 Publicidade 11 fotos 3 de 11 Membros de uma equipe colombiana de Busca e Resgate Urbano (USAR, na sigla original) chegam ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em La Guaira — Foto: Federico PARRA / AFP 4 de 11 Membros de uma equipe de resgate do Exército mexicano chegam ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em La Guaira, Venezuela — Foto: Federico PARRA / AFP X de 11 Publicidade 5 de 11 Militares brasileiros voam em avião da FAB para Venezuela — Foto: NELSON ALMEIDA / AFP 6 de 11 Equipes de busca e resgate dos Estados Unidos embarcam em uma aeronave militar C-17 Globemaster III com destino à Venezuela — Foto: US SOUTHERN COMMAND / AFP X de 11 Publicidade 7 de 11 Bombeiros colombianos embarcam em uma aeronave da Força Aérea Colombiana com ajuda humanitária para a Venezuela — Foto: Luis ACOSTA / AFP 8 de 11 Bombeiros brasileiros aguardam para embarcar em uma aeronave da FAB para uma missão de ajuda humanitária à Venezuela — Foto: NELSON ALMEIDA / AFP X de 11 Publicidade 9 de 11 Militares mexicanos caminhando com cães de serviço militar na Base Aérea Militar de Santa Lucía, no Estado do México — Foto: Mexican Presidency / AFP 10 de 11 Equipes de resgate e profissionais de saúde do Exército mexicano seguram as bandeiras do México e da Venezuela, na Base Aérea Militar de Santa Lucía, no Estado do México — Foto: Mexican Presidency / AFP X de 11 Publicidade 11 de 11 Avião do México com destino à Venezuela — Foto: Gerardo Luna / AFP Um total de 17 países chegaram a Caracas O retorno da opositora obrigaria Delcy a escolher entre acolher sua principal adversária política em um gesto de unidade nacional ou correr o risco de ser acusada de reforçar o controle sobre a política durante uma emergência nacional. A forma como a presidente interina conduz a crise já está moldando a percepção sobre seu governo, após a destituição de Nicolás Maduro pelos EUA no início de janeiro. O retorno de María Corina também representaria um teste para Delcy, cuja taxa de desaprovação subiu para 59% em maio, um aumento de quase 12 pontos percentuais em relação a abril, segundo uma pesquisa da Atlas/Intel realizada para a Bloomberg News. A presidente foi confrontada por moradores revoltados durante uma visita, na noite de sexta-feira, a um bairro de Caracas atingido pelo terremoto. Os residentes acusaram as autoridades de não fazerem nada por eles e gritaram "Fora!". María Corina, que continua sendo a líder política mais popular da Venezuela, poderia canalizar a frustração da população com a resposta do governo. Ainda assim, alguns observadores enxergam a crise como uma oportunidade também para Delcy. Permitir que a opositora retornasse e participasse das ações de socorro representaria o sinal mais claro até agora de abertura política durante a transição apoiada pelos EUA e projetaria uma imagem de unidade nacional após a saída de Maduro. Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante visita a áreas atingidas por terremotos em La Guaira — Foto: Presidência da Venezuela/AFP Por outro lado, o falecido Hugo Chávez, mentor de Maduro e arquiteto do moderno movimento socialista venezuelano, utilizou a crise provocada pelas enchentes que mataram milhares de pessoas em 1999, bem como a resposta de seu governo, para ampliar o papel das Forças Armadas e fortalecer a centralização do poder. O número de mortos na tragédia atual ultrapassou 1.400 depois que dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram o país com apenas um minuto de intervalo na quarta-feira. O desastre já levou Delcy a adotar uma política externa incomumente pragmática. Seu governo aceitou ajuda dos EUA e também de países antes considerados adversários políticos, incluindo El Salvador, Chile, Equador, Israel, Paraguai e Itália. Essa abertura, porém, não se estendeu ao interior da Venezuela. Na sexta-feira, líderes da oposição acusaram as autoridades de bloquear os esforços de ajuda ao impedir a passagem de um caminhão com donativos em Caracas e de intimidar voluntários em um centro de arrecadação na cidade de Cumaná, no nordeste do país. O governo também buscou centralizar a assistência humanitária, orientando a população a encaminhar doações e registros de voluntários por meio de centros oficiais de coleta e plataformas estatais, ao mesmo tempo em que promove o VenApp como principal canal para registrar desaparecidos e coordenar as ações de socorro. Veja imagens do maior abalo registrado na Venezuela em mais de um século Enquanto isso, a oposição montou uma rede humanitária paralela e um cadastro próprio de pessoas desaparecidas, indicando que mais de 55 mil pessoas continuam sem paradeiro conhecido. As autoridades também restringiram o acesso ao estado de La Guaira, o mais afetado, com Delcy afirmando que a medida é necessária para proteger as operações de resgate e implementar controles sanitários. María Corina permanece no exterior desde que deixou o esconderijo e saiu da Venezuela no fim do ano passado. Desde então, promete retornar ao país, especialmente após a captura de Maduro por forças americanas em janeiro. Em uma mensagem em vídeo divulgada após os terremotos, a opositora disse a seus apoiadores que "muito, muito em breve, estaremos nos abraçando na Venezuela". A maneira como Delcy administra o desastre — e se permitirá ou não o retorno de sua principal adversária política durante esse período — poderá se tornar o teste decisivo de seu jovem governo.