Na última segunda-feira (22), o primeiro-ministro britânico Keir Starmer anunciou que deixará o cargo e a liderança do Partido Trabalhista. Sua saída, menos de dois anos depois da vitória trabalhista de 2024, prolonga a instabilidade política aberta pelo plebiscito do brexit.
Starmer não caiu por falta de maioria parlamentar. O Partido Trabalhista controla ampla maioria na Câmara dos Comuns. A crise veio da perda de autoridade política, da derrota nas eleições locais de maio, da pressão interna evidenciada na renúncia de ministros e da entrada de Andy Burnham na Câmara, após vencer a eleição suplementar de Makerfield. A disputa foi realizada com o objetivo de habilitá-lo para a liderança do partido, uma vez que, segundo a tradição, o primeiro-ministro deve ser membro eleito da Câmara dos Comuns.
Starmer poderia ter resistido, forçando um adversário interno a desafiá-lo. Pelas regras do Partido Trabalhista, a disputa pela liderança pode ser aberta com a renúncia do líder ou quando um desafiante formal reúne assinaturas de pelo menos 20% da bancada parlamentar. Até 2021, esse patamar era de 10%, mas foi elevado durante sua liderança, dificultando desafios internos à direção partidária. A regra agora opera em outro contexto. Ao elevar o custo de entrada na disputa, pode reduzir a fragmentação de candidaturas e facilitar a consolidação de Burnham. Regras partidárias não são procedimentos neutros. São instrumentos de poder.







