Um dos países que mais abriga refugiados no mundo, Canadá tem como trunfo a diversidade étnica, que evidenciou talentos para o futebol 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Alphonso Davies (#19), do Canadá, durante uma sessão de treinamento um dia antes da partida do Grupo B da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Suíça e Canadá, no BC Place Vancouver, em 23 de junho de 2026, em Vancouver, Colúmbia Britânica. — Foto: Elizabeth Ruiz Ruiz / Getty Images América do Norte / Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/06/2026 - 01:35 Diversidade e imigração impulsionam futebol no Canadá rumo a 2026 A seleção canadense de futebol, que sediará a Copa do Mundo de 2026, transformou-se de um time majoritariamente branco em 1986 para uma equipe diversa, graças à imigração. O Canadá, que abriga cerca de 269 mil refugiados, viu o aumento do interesse pelo futebol, fomentado por academias e centros de treinamento, especialmente em cidades como Brampton. Jogadores como Alphonso Davies, de origem liberiana, simbolizam essa diversidade e o crescimento do esporte no país. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quando o Canadá disputou sua primeira Copa do Mundo, em 1986, era uma seleção majoritariamente branca. Alguns sobrenomes italianos e eslavos denunciavam a presença de imigrantes, mas o futebol não era um esporte popular por lá. Aquela classificação parece um acidente. Nas Eliminatórias seguintes, a seleção canadense disputou apenas duas partidas e já foi eliminada pela Guatemala. Foram décadas de irrelevância, sem esboçar muita competitividade. Afinal, é o país do hóquei no gelo, onde a modalidade foi inventada e se tornou amada. Mas é um país que em 2026, sediando uma Copa do Mundo ao lado de Estados Unidos e México, consegue ter enfim uma seleção de bom nível. Como isso aconteceu? Se a seleção de 1986 era quase toda branca, a seleção de 2026 é majoritariamente negra. Se aquele time era composto por amadores e atletas com pouca experiência fora do próprio país, o atual tem destaques do futebol internacional. A palavra-chave: imigração. De acordo com dados oficiais, o Canadá abriga atualmente cerca de 269 mil refugiados, um dos maiores do mundo. Além disso, recebeu variadas ondas migratórias, aumentando significativamente a sua diversidade étnica. Assim, o Canadá percebeu o interesse no futebol aumentar. Surgiram novas academias e centros de desenvolvimento de talentos, permitindo que jovens que vinham de longe não apenas encontrassem um sentido na dura vida de refugiado ou imigrante como também desenvolvessem seu talento. O resultado, pouco a pouco, começou a aparecer. A história da atual seleção canadense precisa ser contada a partir de Ontario, a província mais ao sul do país. Especificamente na cidade de Brampton, onde seis jogadores da equipe se formaram. Apelidada de “fábrica do futebol”, a cidade de cerca de 800 mil habitantes respira o esporte. Além de providenciar infraestrutura como campos para sua prática, há também centros de futebol fechados, essenciais para um país frio não vê-lo sumir durante os meses do inverno. Trata-se de uma região de presença afro-caribenha, latino-americana, sul-asiática, árabe e chinesa. Como o futebol é o esporte mais popular do planeta, é nele que os filhos e netos de imigrantes se reúnem, como provam os seis de Brampton. Entre eles, há descendentes de nigerianos (Promise David), colombianos (Jonathan Osorio), jamaicanos (Cyle Larin, Jaydon Nelson e Tajon Buchanan). O que os faz canadenses é justamente a mistura disso. Mas talvez quem conte melhor a história do país que se vê refletido na seleção canadense é Alphonso Davies, lateral-esquerdo do Bayern de Munique. Ele não tem jogado por estar se recuperando de lesão, mas espera-se que a equipe ainda possa contar com ele na Copa. Davies nasceu em 2000, em Buduburam, um campo de refugiados em Gana. Seus pais eram da Libéria, país que deixaram devido a uma guerra civil. O conflito deslocou centenas de milhares de pessoas, e o campo foi montado pela ONU para abrigá-las. Quando a família Davies precisou reconstruir a vida, foi o Canadá que abriu as portas para acolhê-los: Alphonso chegou ao país com cinco anos de idade. Aos 15, já estava se tornando profissional do esporte. Foi o 1º jogador nascido nos anos 2000 a atuar na MLS, a liga dos EUA. Em 2019, com a oferta do Bayern, veio o sonhado contrato com um gigante do futebol europeu. Com trajetórias como essa, o país se tornou mais diverso e sua seleção floresceu. Quem sabe outras histórias assim estejam começando a ser escritas agora, na Copa, com garotos e garotas canadenses diante da TV, sonhando em representar a nação que os acolheu. O projeto Copa Além da Copa traz ao GLOBO textos que relacionam política, cultura, história, arte e sociedade com o futebol