Não faz muito tempo, a maconha e seus derivados não só tinham o cultivo, a comercialização e o consumo liberados no país; o Brasil integrava o cenário de importação e de exportação do produto.

Mais que isso: havia incentivos governamentais para a produção, com iniciativas como distribuição de sementes e empreendimentos de incentivo ao cultivo de cannabis.

Houve diversas empreitadas governamentais que buscaram desenvolver o cultivo da erva no país e há ao menos um registro de exportação em relatório de contas públicas, de acordo com pesquisadores. No entanto, historicamente, o Brasil sempre foi mais comprador do que um vendedor do produto no mercado internacional.

Pesquisador na organização britânica Release e autor do livro "Antes da Proibição: Quando a Maconha Era Remédio" —com lançamento previsto para o mês de julho—, o historiador brasileiro Saulo Carneiro descobriu um registro do Ministério da Fazenda de 1906 quantificando a exportação da erva produzida no estado de Alagoas.

A soma era pequena —40 mil réis, muito menos do que os quase 1,2 milhão de réis obtidos com a venda de algodão. Mas é a prova documental de que o Brasil fazia parte do comércio de cannabis.