Apenas uma semana atrás, o "alerta de misantropia" lembrou a fragilidade do sistema de aviso da Defesa Civil. Ironicamente ou não, o alarme hacker misantrópico fez bem mais barulho do que desastres reais dos dias atipicamente chuvosos deste junho.

"Chuva causa queda de árvores, desabamento e caos no trânsito em São Paulo" foi ao ar na quarta (24), sem muita explicação sobre tanta água nesta época. Não parecia uma chuva qualquer: "Em 24 horas, foram registrados 94 mm de precipitação, (...) mais da metade da chuva prevista para o mês inteiro". "Três cidades do estado de SP registram em apenas um dia a chuva esperada para todo o mês." O sistema de alertas continuava fora do ar após o ataque hacker misantrópico. Teria feito diferença?

No "bairro Cidade Dutra, na zona sul [de São Paulo], uma enxurrada atingiu cerca de dez moradias" e "60 moradores ficaram desalojados". "Um homem morreu soterrado e duas pessoas ficaram feridas após o desabamento parcial de um sobrado em Cangaíba, na zona leste de São Paulo."

Isso se seguia a outros incidentes: na semana anterior, houve deslizamento na Rocinha, no Rio, e uma casa desabou na Brasilândia, em São Paulo.

No começo do mês, os jornais falaram bastante da chegada do El Niño, com os riscos associados a ele: "Adaptação emergencial ao El Niño vai de protocolos para chuvas a centros públicos de resfriamento", "Sua cidade está preparada para enchentes e deslizamentos? Confira", "Mudança climática altera dinâmica do El Niño e aumenta eventos extremos", "Para cientistas, não há consenso de que mudanças climáticas turbinam o El Niño".