"A infiltração do crime organizado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro [Alerj] não é ficção", segundo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Seu colega Gilmar Mendes, decano da corte, disse ter ouvido do diretor da Polícia Federal que "32 ou 34 parlamentares da Assembleia recebiam mesada do jogo do bicho".

Adversário político do grupo atualmente no comando do Legislativo fluminense, o presidente Lula declarou que, "se a Assembleia tivesse que indicar [o governador do RJ], viria um miliciano".

No centro dos últimos escândalos políticos que levaram o STF a manter até agora o desembargador Ricardo Couto como governador interino –em vez do presidente do Legislativo estadual, Douglas Ruas (PL), como determina a Constituição–, a Alerj é uma espécie de CBF da política: assim como na Confederação Brasileira de Futebol, quase todos os seus dirigentes mais recentes foram afastados e/ou presos após denúncias de malfeitos diversos.

Antes de Ruas, dos cinco presidentes eleitos pelos deputados estaduais para presidir a Casa neste século –Sérgio Cabral (PSDB/PMDB), Jorge Picciani (PMDB), Paulo Melo (PMDB), André Ceciliano (PT) e Rodrigo Bacellar (União Brasil)--, apenas Ceciliano não foi preso.