"Registramos seu otimismo em relação às eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição, caso seja eleito. Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar em cooperação com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro em prol de uma estrutura ampla, justa e mutuamente benéfica de comércio e investimentos", disse Rubio na carta. "Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéficos para ambas as nossas nações — construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem", disse o senador em ofício enviado à Rubio. 📖 A legislação brasileira detalha que a formação de uma equipe de transição deve ocorrer entre o governo que está no poder e o que ganhou as eleições e está para ser empossado. A norma prevê que poderão ser criados 50 cargos em comissão, denominados Cargos Especiais de Transição Governamental (CETG), para formar a equipe de transição, escolhida pelo presidente eleito. O grupo tem a missão de se inteirar do funcionamento dos órgãos e entidades da administração pública federal – e preparar os primeiros atos do novo governo, geralmente editados já no primeiro dia do ano. "Transição governamental é o processo que objetiva propiciar condições para que o candidato eleito para o cargo de Presidente da República possa receber de seu antecessor todos os dados e informações necessários à implementação do programa do novo governo, desde a data de sua posse", diz a lei. Carta de Flávio Bolsonaro enviada a Rubio em 2 de junho de 2026. — Foto: Reprodução Em um trecho da carta, Rubio afirma que o representante comercial dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, "deixou claro" que os dois países continuam tendo "diferenças substanciais" sobre a conclusão da investigação comercial contra o Brasil. A investigação a que Rubio se refere acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. A apuração foi aberta em julho do ano passado, a pedido do presidente norte-americano Donald Trump, pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). A proposta do governo Trump é de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. 🔎 O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA. Ele conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas. Na própria carta, Rubio esclarece: "Ele [Jamieson Greer] propôs uma ação responsiva para comentário público. Esta determinação e a proposta de ação responsiva [sobretaxas] decorrem de uma investigação iniciada em julho de 2025 sob a direção específica do Presidente Trump", diz um trecho da carta, traduzido para o português. Marco Rubio e Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/Redes Sociais/@FlavioBolsonaro No parágrafo em que menciona a classificação das duas facções brasileiras como "Terroristas Globais Especialmente Designados" e "Organizações Terroristas Estrangeiras", o secretário aproveita para agradecer o apoio do senador à decisão. "Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas facções ameaçam a segurança de cidadãos honestos em nosso hemisfério compartilhado. Ao visar suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger os povos brasileiro e americano do crime organizado transnacional", prossegue Rubio. Na carta, o secretário detalha as "diferenças substanciais" a serem resolvidas entre Brasil e Estados Unidos. Ele cita especificamente: tarifas preferenciais injustas;barreiras ao acesso ao mercado de etanol;desmatamento ilegal;proteção de propriedade intelectual. A audiência integra o processo previsto na legislação comercial americana e permitirá que empresas, associações, governos e outros interessados apresentem argumentos antes da decisão final da administração do presidente Donald Trump.
Em carta, Marco Rubio agradece a Flávio Bolsonaro por colocar 'equipe de transição' à disposição dos EUA caso seja eleito | G1
Em ofício enviado ao governo dos EUA no início do mês, senador afirma que equipe de transição seria para concluir "amplo acordo de comércio e investimentos" entre os países. Legislação brasileira prevê transição apenas entre o governo que está no poder e o que está para ser empossado.









