Trump não se interessa pela América latina, e as decisões sobre a região ficam a cargo de Marco Rubio, que quer Flávio Bolsonaro Secretário de Estado, Marco Rubio nega que EUA busquem destituir presidente cubano — Foto: Brendan Smialowski/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 21:16 Marco Rubio Assume Papel Central nas Relações Brasil-EUA A influência de Marco Rubio nas relações Brasil-EUA é crescente, dado o desinteresse de Trump pela América Latina. Rubio, secretário de Estado e filho de cubanos, assume papel crucial nas decisões sobre a região, com foco em promover candidatos de direita, como Flávio Bolsonaro. Apesar da simpatia de Trump por Lula, Rubio é a voz dominante nas relações com o Brasil, destacando-se por sua agenda conservadora. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A maior parte das autoridades políticas dos EUA e mesmo dentro do jornalismo e da academia não se interessa pelo que os americanos costumam chamar de América Latina, que basicamente inclui todos os países do Rio Grande no México à Terra do Fogo na Argentina. Independentemente de serem democratas ou republicanos, o tal establishment de Washington e aqui de Nova York prefere temas ligados a Europa, Oriente Médio e Leste Asiático. América Latina e África? Nem passa pela cabeça deles. Vou até usar como exemplo o jornal The New York Times. Seus principais colunistas de política internacional, como Thomas Friedman e Nicholas Kristof, raramente escrevem sobre o que ocorre na região, com raras exceções como temas de imigração, México e eventualmente Cuba e Venezuela. Brasil não entra na lista. O ex-secretário de Estado Anthony Blinken, assim como o então presidente Joe Biden, ignoravam completamente a América Latina e em especial a América do Sul. Mal sabiam dizer “buenos dias”, apesar de viverem em um país onde parcela expressiva da população fala espanhol. Donald Trump não é diferente da maioria em Washington. O presidente, apesar dos elogios ao colega brasileiro, praticamente nunca fala o nome de Lula. Talvez não lembre. Simplesmente, o Brasil não está no radar dele. Flavio Bolsonaro? Trump certamente conhece e gosta da família, mas tampouco dá muita importância ao pai e aos filhos. Nada muito além de uma simpatia. Uma relação de ídolo com fãs — similar à relação com o argentino Javier Milei. No meio deste deserto de desinteresse pela América Latina, há uma figura que desde a infância demonstra enorme interesse pela região. Naturalmente, falo do secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional, Marco Rubio. Filho de cubanos, é fluente em espanhol, entende português, identifica-se como latino-americano, adora política externa, tendo sido presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e estuda a política e a economia do continente. Conhece a história, o contexto atual e sabe quem são os principais atores políticos nos principais países, incluindo o Brasil. Quando começa um debate no Salão Oval sobre algo relacionado ao Brasil, Rubio já seria uma das vozes mais importantes por exercer os dois mais importantes cargos de política externa dos EUA. Imagine se alguém que sequer sabe direito quem é Lula e Bolsonaro vai questioná-lo numa reunião? Trump possivelmente, com a cabeça em mil outros temas, deve delegar a Rubio as decisões sobre questões ligadas a nações latino-americanas como o Brasil. Conservador e republicano, Rubio tem uma agenda clara e pública de buscar ajudar a eleger figuras da direita nas eleições deste ano, como na Colômbia, no Peru e naturalmente no Brasil. Nas eleições brasileiras, o candidato de Rubio é Flavio Bolsonaro por ser o representante da direita. O próprio secretário de Estado deixou clara a sua insatisfação com o atual governo brasileiro em depoimento ao Congresso nesta semana, quando pôs o Brasil no bloco de Nicarágua, Cuba e Venezuela — todas ditaduras. A química entre Lula e Trump é verídica, mas insuficiente para melhorar as relações entre o Brasil e os EUA. No fim das contas, quem tem poder em temas sobre questões brasileiras é Rubio. O secretário de Estado precisa engolir algumas decisões de Trump quando o assunto é Ucrânia, Irã e China. Ao mesmo tempo, sabe que se for Cuba, Brasil ou Colômbia, suas opiniões tendem a prevalecer. E ele quer Flávio Bolsonaro.