Marco Rubio, secretário de Estado americano, afirmou que o Brasil não faz parte da lista de "amigos dos EUA". Disse isso e continuou no emprego. Seu cargo exige tato diplomático e conhecimento de história, coisas que não se compram nas drugstores de Miami. Mas Rubio é um ministro de Donald Trump —só existe porque existe Trump. Se não fosse uma alimária, saberia que, em qualquer época, nenhum outro país foi tão amigo dos EUA.

Começou pela viagem do ex-presidente Theodore Roosevelt à Amazônia, em 1913. Escoltado pelo general Rondon, Roosevelt passou sete meses na floresta fazendo mapeamento estratégico, cartografando rios e coletando um mundo de plantas e animais para seus museus e instituições. Pegou diarreia, malária, infecções e quase levou a breca, mas voltou com um conhecimento dos recursos do Brasil de que até então ninguém por lá suspeitava.

Os americanos logo souberam que não éramos uma república de bananas. Um empreendedor chamado Percival Farquhar veio para cá no começo do século 20 e, pelos 30 anos seguintes, tomou nossos setores de energia elétrica, navegação, extração de minério, criação de gado, abertura de estradas e, por causa destas, derrubou milhões de acres de floresta nativa para explorar madeira. Aliás, o minério e a energia elétrica foram dois setores que os americanos levaram décadas para nos devolver. Era ou não era ser amigo dos EUA?