Alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de crime contra o sistema financeiro, o banco Digimais foi autuado pela fiscalização do Ministério do Trabalho por múltiplas violações a direitos trabalhistas dos seus funcionários.

Os fiscais identificaram infrações relacionadas a jornadas de trabalho excessivas, sonegação salarial e descumprimento de regras de descanso semanal, de acordo com relatório técnico de inspeção do trabalho, obtido pela Folha, realizado pela Superintendência Regional do Trabalho no Estado de São Paulo entre 2019 e 2025.

A fiscalização encontrou mais de 13 mil infrações por excesso de jornada. Um dos casos mais graves foi de um empregado que trabalhou por 15 domingos consecutivos. Funcionários do Digimais, segundo os achados do Ministério do Trabalho, faziam mais horas extras do que o permitido por lei e não usufruíam de tempo mínimo de descanso. Pelos cálculos dos fiscais, o banco deixou de pagar R$ 2 milhões aos seus funcionários em horas extras que eram contabilizadas mas não chegavam a ser pagas.

Para Livia Ferreira, auditora fiscal do trabalho que coordenou a fiscalização, o caso da Digimais chama atenção porque as irregularidades eram registradas no sistema interno de banco de horas da empresa.